08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Proposta para reflexão


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Muitas reclamações têm sido formuladas pelos aposentados em geral, que vão desde a forma de atendimento na área da saúde pública até as próprias instituições que deveriam lhes proporcionar a melhor atenção, sejam eles servidores dos setores públicos ou privados. Ora, depois de 30 ou mais longos anos de trabalho e contribuição para a Previdência, os aposentados se espantam com os valores com que são aquinhoados e não conseguem entender as fórmulas mirabolantes dos cálculos de seus proventos. Muitos até se arrependem de ter aposentado. E mais, ultimamente, surpresos, vêem descontado em seus holerites, o valor de injustificada contribuição para manutenção da Previdência.

Além de constituir-se esse fato em medida extorsiva, mesmo porque não havia disposição legal anterior, ninguém consegue entender como um empregado em atividade contribui com alíquota menor do que aquela estabelecida para o desconto do aposentado! E o direito adquirido? Quimeras! Ainda tem gente que acredita em Papai Noel. Neste País, ultimamente, têm direito unicamente aqueles que, em todos os níveis, legislam em causa própria, ajustando ou aumentando seus vencimentos a seu livre arbítrio, isto sem falar em “ajuda de custo” e pagamento por sessões extraordinárias, quando não raro, não comparecem nem mesmo às ordinárias, cujos flagrantes são sobejamente mostrados pela mídia televisiva. Interessante notar que ninguém até hoje se dispôs a esclarecer onde foram parar os recursos captados pela Previdência Social desde a sua instituição, sem falar do outro “buraco negro”, o FGTS.

Observe-se que a categoria dos aposentados juntou-se a outras, também sofridas e surradas, dos trabalhadores ativos das classes de servidores públicos e professores, assumindo no conjunto, a caracterização do “bode expiatório” ou “boi de piranha”, pecha esta impingida de forma pública e notória pelo governo em todos os níveis, para tentar justificar o inexplicável rombo orçamentário. Quanto à vilipendiada classe do Magistério, pergunta-se aos respeitáveis senhores professores: quantos secretários ou assessores têm à disposição? Quem os ajuda a preparar as aulas? Quem paga seu transporte e sua alimentação? Quem lhes garante a segurança e a incolumidade física quanto aos jovens arredios e agressivos? Foram alguma vez consultados sobre a famigerada “aprovação automática”?

As respostas serão obviamente negativas. Acredito que já é tempo de todas as entidades classistas se unirem, sejam as dos aposentados de todas as categorias ou dos professores e funcionários públicos em geral, em atividade, para traçarem estratégias políticas, em todos os níveis e em todo o País. Lobby? Quantos já existem atualmente e por que não, mais um? Assim, a idéia é a de que se todos os segmentos, atendendo a uma sugestão de comando emanada da análise de propostas, expurgarem os demagogos aproveitadores e escolherem candidatos confiáveis e competentes, certamente poderão eleger representantes específicos da classe.

Notem que se em cada Estado forem eleitos dois ou mais deputados federais, teremos uma bancada forte e respeitável na Câmara Federal, o mesmo ocorrendo em nível estadual. Ditos representantes poderão ser regionais ou não. Também vereadores? Teremos outras eleições. Deve ser lembrado que o importante não é a sigla partidária, mas sim a confiabilidade e retidão de caráter dos escolhidos. Ressalvo que não tenho nenhuma intenção impositiva e nem pretensão a cargos políticos. Esta opinião é uma proposta para reflexão.

João José de Lima (Jota) - OAB/SP 36.946