08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Professor terá verba do Estado para compra de micro


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Face a tal notícia, parece que a administração ao oferecer aos educadores uma verba de R$ 1.000,00 para compra de um microcomputador deseja dar a entender que o magistério vem sendo assistido, prestigiado e considerado. Contudo, a realidade do que se passa em relação ao magistério paulista não é esta. Tanto não é que os setores da sociedade, cientes da situação calamitosa, e até mesmo vergonhosa, a que foram relegados os professores do mais importante Estado da Federação, vêm procurando, através dos órgãos de comunicação, alertar a população sobre a iniqüidade do ato.

Nesta campanha, tais setores mostram ao povo paulista a necessidade de se fazer do magistério, e de cada educador, um baluarte da educação e da cultura. Só assim, São Paulo poderá recuperar o respeito dos demais membros da Federação, e, dessa maneira, ter efetivamente condições de prosseguir em sua liderança.

Desvalorizar o magistério, olvidá-lo, tentar transformá-lo no subsumo da nossa sociedade, é permitir o saque contra a própria nação brasileira. É esvaziar os atributos morais, sociais e culturais, de uma entidade que sempre se fez representar pela cultura, pela sua devoção, pelo seu labor, pelo seu civismo e honestidade.

Se ainda há setores sociais que não chegaram a esta compreensão, é preciso que se saiba que os educadores paulistas são cônscios dos seus deveres e do papel que representam na sociedade. Justo por isso, não reivindicam nada além daquilo que lhes cabe por direito e que o Estado tem por obrigação conceder-lhes. Desejariam apenas que, na relação que existe entre estes e o Estado-Administração, pudessem ser considerados com mais dignidade, equanimidade e humanismo, recebendo vencimentos com os quais fosse possível viver em sociedade: com a cabeça erguida, sem sentir vergonha da sua profissão, que na atualidade sequer lhe faculta o suficiente para assistir de maneira digna a si e aos seus.

Esta situação de total desapreço em que colocaram o magistério paulista é uma injustiça, uma iniqüidade, uma desumanidade.

Se, com seu trabalho proficiente e honesto, os educadores proporcionam à sociedade uma produção digna, agregando à mesma elevados valores morais, cívicos e culturais, justo seria que essa sociedade, pela sua administração soubesse reconhecer tais valores, provindos dessa desprendida dedicação, que vêm sendo anexados à esta, através de lídimos princípios de civismo.

O trabalho do educador não se consubstancia apenas em erigir uma obra. Pacientemente, encaixando as peças, ele vai elevando às alturas, um monumento revestido por um sólido ideal. Ideal este que se vivifica na grandeza da nossa sociedade, do Estado e contínuo desenvolvimento da nação brasileira.

Daí o inconformismo desta classe sacrificada, olvidada e denegrida, que ao receber seu contracheque, a primeira coisa que visualiza, é o “Prêmio de Valorização ao Magistério: R$ 50,00 - cinqüenta reais”. Será que, para certas lideranças político-administrativas, isto é tudo quanto vale um educador?

Áureo Corrêa de Souza