09 de julho de 2026
Geral

50% reprovam no exame de moto

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Em média, 50% do total de pessoas que fazem a prova prática de moto para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) não passam no exame realizado no Sambódromo. O alto índice de reprova coloca na contramão os argumentos de alunos, auto-escolas e da 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran). Foram sinalizadas como justificativas o despreparo do candidato, seu nervosismo e as condições da pista.

O choque entre posicionamentos tornou-se mais grave depois que o exame foi transferido do Centro de Treinamento (CT), há um ano. De lá para cá, o número de reprovações subiu no máximo 10% em relação ao período em que era realizado no Sambódromo. O percentual foi informado pela Ciretran, que mudou os exames de local para atender resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Ela impede que aulas e provas sejam realizadas no mesmo lugar.

“É o mesmo traçado, mas não são as mesmas dimensões. Além disso, a pista tem um declive. A moto tem que estar freada. Já fiz 28 aulas e decidi dar um tempo. Não vou ficar igual às outras pessoas, que fazem quatro ou cinco exames”, diz Aracy Avelar, que treina no CT e reprovou no primeiro teste.

Já Gabriela Thomaz caiu na prancha na segunda prova, realizada há cerca de 20 dias. Ela não conteve as lágrimas. “É diferente (uma pista da outra). É triste saber fazer tudo e na hora errar. Uma mocinha que passou fez o quinto exame hoje”, informa.

No mesmo dia também foi aprovado Rodrigo Aparecido de Almeida, que conseguiu a CNH na segunda tentativa. Mesmo assim, ele não poupou as críticas. “A condição da pista é horrível. Mereceria um recapeamento”, afirma. A situação fez com que várias auto-escolas assinassem um documento solicitando a transferência do traçado da pista para um local pouco abaixo de onde ela está situada atualmente, no Sambódromo.

Porém, o pedido ainda está sendo avaliado pela Ciretran. “Todas as reivindicações são analisadas com carinho, mas entendemos que elas são desnecessárias no atual momento. Anos atrás o exame era feito em qualquer local. O de carreta, até pouco tempo atrás, não tinha local fixo. Agora também está no Sambódromo”, explica o delegado da Ciretran, Abel Paes de Barros Cortez.

Na opinião dele, para passar no exame, o aluno tem que estar preparado para dirigir em qualquer via pública e destaca que, atualmente, as ruas se encontram nas mais diversas situações.

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Taxa de inscrição

Ao se inscrever para fazer a prova prática necessária para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o aluno deve pagar taxa de R$ 34,35. O valor recolhido pelos cofres públicos estaduais é inferior aos R$ 90,00 cobrados, em média, pelas auto-escolas, que imbutem no preço seus serviços e o uso do veículo utilizado na exame. Como os custos são fixos, em caso de reprova, o candidato desembolsa a mesma quantia para se inscrever novamente.

No entanto, a cobrança que pesa no bolso do aluno, muitas vezes é cobiçada pelas auto-escolas. Duas delas, que preferiram o anonimato, confirmaram ao JC que algumas concorrentes lucram com a reprova, já que o preço dos outros serviços são muito aquém da média.

Entre aulas práticas, teóricas e taxas, o candidato gasta entre R$ 340,00 e R$ 400,00 para tirar carta de carro ou moto e entre R$ 500,00 e R$ 600,00 para ambos. O valor da hora-aula, em média, é de R$ 20,00.