09 de julho de 2026
Regional

Botucatu é a primeira cidade do País a aprovar lei proposta pelo Greenpeace

Adilson Camargo (com Redação)
| Tempo de leitura: 2 min

Botucatu - Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru) tornou-se a primeira cidade do País a adotar a lei proposta pelo Greenpeace em defesa da floresta amazônica. Anteontem, a Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, o projeto que proíbe o consumo, pela prefeitura da cidade, de madeira de origem ilegal e destrutiva ao meio ambiente.

A partir da publicação da lei no Diário Oficial do município, todas as compras e contratações de serviços da prefeitura, que envolver madeira, deverão obedecer a uma série de critérios. A utilização do mogno, por exemplo, fica proibida, pois trata-se de uma espécie ameaçada de extinção.

Fica acertado também que as construtoras que executarem obras para a prefeitura deverão reciclar e reutilizar peças de madeira. A certificação com o selo do Conselho de Manejo Florestal servirá como critério de desempate nos processos de licitação.

Segundo o Greenpeace, o selo é o único sistema de certificação independente que adota padrões ambientais internacionalmente aceitos e incorpora de maneira equilibrada os interesses de grupos sociais, ambientais e econômicos.

Outras seis cidades já aderiram ao programa Cidade Amiga da Amazônia: Campinas, Sorocaba, Piracicaba, São Carlos, São José dos Campos e São Manuel, todas no Estado de São Paulo. O Greenpeace ainda aguarda a aprovação do projeto de lei também nesses municípios.

Anteontem, em Manaus (AM), o Greenpeace divulgou o avanço do desmatamento na floresta amazônica e a contínua extração ilegal de madeira na área da recém-criada Reserva Extrativista Verde para Sempre, no Pará.

Imagens de satélite processadas pelo Greenpeace mostram que o desmatamento no Pará, em 2004, aumentou 35% em relação a 2003, e já chega a 70 mil hectares. Os dados, segundo a entidade, revelam que o governo federal não está implementando o Plano de Combate ao Desmatamento, anunciado com alarde no início deste ano.

Para o Greenpeace, a indústria madeireira é uma das principais forças de destruição da Amazônia. Mais de 80% da madeira amazônica têm origem ilegal e destrutiva e a grande maioria (85%) deste recurso é consumida pelo mercado brasileiro.

Entre 2001 e 2003, segundo dados da entidade, mais de 5 milhões de hectares de floresta foram destruídos - o equivalente a nove campos de futebol desmatados por minuto.

“Botucatu está fazendo a sua parte para garantir o desenvolvimento sustentável da Amazônia”, comemorou Gustavo Vieira, coordenador político do programa. “A lei aprovada na cidade complementa a lei de licitações e garante que a madeira consumida pela prefeitura foi extraída de acordo com a legislação florestal do País. É um exemplo de consumo consciente que deve inspirar o resto da sociedade”.