O descontentamento que alguns sindicatos vêm demonstrando em relação às posições adotadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) ao longo dos últimos meses se transformou em rompimento. Três entidades de classe que atuam em Bauru já anunciaram que optaram pela desfiliação e outras duas estudam seguir o mesmo caminho.
Os sindicatos que decidiram deixar a CUT não concordam com a forma como foram conduzidas as discussões em torno das reformas sindical, trabalhista e universitária, que estão em andamento. Eles acusam a central de ser favorável às propostas do governo federal, em detrimento dos direitos dos trabalhadores.
No final de agosto, um debate foi realizado em Bauru para tratar do assunto. O líder nacional do PSTU, José Maria de Almeida, pregou o rompimento dos sindicatos com a CUT, enquanto o membro da direção nacional da central sindical, Júlio Turra, fez a defesa da entidade.
Três meses depois, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm) definiu a desfiliação durante assembléia realizada anteontem. “A CUT partiu de um projeto que era a defesa da classe trabalhadora para outro que é a defesa do Fórum Nacional do Trabalho, que reúne apenas cúpulas de centrais sindicais, governo e patrões, deixando de lado os sindicatosâ€, critica a diretora do Sinserm, Eliane Koti.
O Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) também decidiu pelo rompimento. “Infelizmente, a CUT está aprovando todas as reformas do governo e elas implicam em muitas perdas para os trabalhadoresâ€, afirma a diretora do sindicato em Bauru, Elaine do Amaral Godoi.
Outra entidade de classe a optar pela desfiliação foi o Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Estadual Paulista (Sintunesp). “A não participação da CUT nos movimentos populares e a falta de apoio ao movimento grevista determinou nossa decisãoâ€, relata o diretor local do sindicato, Alberto de Souza.
O Sinserm vai participar da criação de uma nova central sindical, organizada pela Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas). O Sintunesp e o Sintusp ainda não definiram sua adesão.
O diretor da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp) de Bauru, Gilberto Magalhães, explica que a entidade também está insatisfeita com a CUT. “Mas ainda estamos discutindo o assunto e, por enquanto, continuamos filiadosâ€, destaca.
A mesma situação é vivenciada pelo Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, segundo o diretor Marcos Silvestre. “Vamos fazer uma reunião de diretoria na próxima semana para discutir o assunto. É consenso que a CUT tomou rumos equivocados, aderindo às posições governistas e se afastando das mobilizações. A nossa divergência interna é em relação à desfiliaçãoâ€, diz.
Sem crise
Para o coordenador regional da CUT em Bauru, Duílio Duka de Souza, o processo de desfiliação está restrito a poucos sindicatos e o fenômeno não significa o enfraquecimento da entidade. “A posição deles é a do PSTU e de alguns outros segmentos. As pessoas não são obrigadas a permanecer onde não queremâ€, argumenta.
Duka nega que a CUT tenha se transformado em aliada do governo federal. “Ela representa a expressão da luta e da liberdade dos trabalhadoresâ€, declara.
Ele também não concorda com as críticas a respeito da ausência da central na organização dos movimentos populares. “Há tempos não acontecem mobilizações de massa. Esse não é um problema da CUT, mas um fenômeno nacionalâ€, diz.