08 de julho de 2026
Geral

Impasse impede exame da leishmaniose

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

Um impasse surgido pela interpretação de um ofício da Secretaria Estadual de Saúde está impedindo a realização da coleta de sangue em cães com suspeita de leishmaniose e que sejam provenientes de áreas onde não há foco comprovado da doença. De um lado, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru diz que o ofício suspende o procedimento. De outro, a Secretaria do Estado da Saúde não vê referências à suspensão no texto.

No meio do fogo cruzado, aparecem cidadãos como o bancário Sérgio Espíndola Ruas, 39 anos, que anteontem levou sua cadela da raça bassê ao CCZ e voltou de lá apenas com um diagnóstico inconclusivo sobre a suspeita de contaminação por leishmaniose. Ruas conta que a cadela apresenta alguns dos sintomas da doença (queda de pêlos e unhas compridas) e que, por isso, resolveu requerer um exame de sangue.

No CCZ, recebeu de servidores do órgão a informação de que a coleta de sangue em cães fora da área de risco estava suspensa por determinação do Estado e que, para obter um diagnóstico mais preciso, deveria levar seu animal de estimação a uma clínica particular. Uma outra opção apresentada no CCZ, prontamente rejeitada por Ruas, foi a de deixar o animal para sacrifício, mesmo sem a confirmação da doença.

Em pesquisa feita pelo próprio bancário, um exame para detecção de leishmaniose em uma clínica particular ficaria em torno de R$ 70,00. “Não posso arcar com este valor, mesmo porque tenho outro cão em casa e precisaria também submetê-lo ao exame”, diz, revoltado com a situação. â€œÉ uma incoerência a prefeitura lançar uma grande campanha de combate à doença, mas recusar-se a fazer um simples exame”, espanta-se.

O veterinário José Rodrigues Gonçalves Neto, chefe da CCZ, diz que o ofício da Secretaria do Estado da Saúde afirma, textualmente, que a “coleta de sangue avulsas caninas” para realização de exame sorológico “não se incluem no Programa de Combate à Leishmaniose” e que, em casos suspeitos, devem ser colhidas amostras “para exame parasitológico” direto em municípios ou áreas “onde ainda não ocorra transmissão”. Bauru não se inclui nesta classificação.

Por “coleta avulsa”, entende-se aquela feita em animais de locais fora da “área de inquérito”. Ou seja, onde há confirmação de casos da doença os exames sorológicos estão mantidos. A assessoria de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde insiste que, num caso como o registrado em Bauru, o CCZ deveria fazer a coleta de sangue, só que para exame parasitológico.

A reportagem tentou contato com a médica Maria Helena Abreu, diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão ao qual o CCZ é subordinado, mas até o fechamento da edição ela não retornou a ligação.