09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sobre o exame de moto


| Tempo de leitura: 3 min

Realmente não está fácil tirar a habilitação para dirigir motocicletas e nem deve ser fácil. Contudo, sou uma pessoa que está passando por essa experiência e tenho vários argumentos para sustentar o ponto de que o pessoal que organiza esse exame não precisava exagerar...

Primeiro argumento: o terreno onde é feito o treinamento é totalmente diferente de onde é realizado o exame – no sambódromo, diferentemente do centro de treinamento, é só asfalto, é branco no preto e, além disso, é um declive. Então, isso pode ser um fator para avaliar a adaptação do motoqueiro aos diversos terrenos, contudo, não podemos nos esquecer de que é um exame, uma prova. E, em toda prova, o candidato fica nervoso. Concordo que o treino pode ser num lugar e o exame no outro, mas será que não teria um meio de o aluno fazer apenas uma volta, antes, só para se certificar do que ele terá de enfrentar, já que os terrenos são tão diferentes? Porque, além de você ter de enfrentar o desconhecido, durante o percurso, se você reprova, a taxa de um novo exame custa R$ 90,00!!! Isto mesmo, minha gente, noventa! Sem contar as aulas a mais que você deverá fazer, que estão custando R$ 20,00. Como não ficar nervoso com um troço desses?

Quando eu fui realizar o exame, eu já tinha feito 25 aulas, isto mesmo, vinte e cinco, dez a mais do que o obrigatório. É lógico, eu praticamente aprendi a guiar uma motocicleta, pois quando comecei a fazer as aulas, nunca havia pilotado uma sozinha. Mas aprendi rápido, pois já dirijo carro há mais de dez anos. Então, essa conversa de que as pessoas não estão sendo bem preparadas é descabida.

Porque eu estava indo bem no circuito do treinamento. Contudo, no dia da prova, fiquei em dúvida se deveria usar ou não o freio, já que o terreno é em declive, se eu conseguiria diferenciar as vias em que eu deveria trafegar, sem contar que não pode errar nada! Só isso já é um estresse enorme... Enfim... Tenho sugestões.

Uma: baixar o preço do exame que, mesmo sem querer, gera muita ansiedade. Segundo, poder percorrer, ao menos por uma vez, o percurso no sambódromo, após as quinze aulas, por exemplo, a fim de que o exame não seja algo totalmente diferente daquilo que se treina, e que se paga muito caro para tanto.

Além disso, já passei por uma avaliação médica e psicoténica, sou alguém com o desenvolvimento psicomotor normal, com coordenação, equilíbrio, etc... O exame mede muito mais habilidades específicas – que precisam ser treinadas – do que a habilidade de trafegar com uma motocicleta no trânsito – cujo sucesso depende muito mais da prática do que ser bem sucedido em uma prova.

O exame está sendo rigoroso demais, tanto que o índice de reprovação reflete isso. Será que não está na hora de fazer uma readaptação da forma como ele é feito?

Rosa A. Marques - RG 20064937-1