10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Design brasileiro conquista 24 prêmios

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

O design brasileiro está em ascensão internacional, o que atrai a atenção do mercado de patentes. Tamanho reconhecimento desperta para a necessidade econômica do registro da patente da marca e do desenho, e não somente da idéia que originou o produto. No concurso iF Product Design Award 2004, realizado em Hannover, na Alemanha, o design brasileiro abocanhou 24 prêmios, considerados os “Oscars” do design.

“Ganhamos mais do que qualquer outro país no mundo”, garante a responsável pela área de desenho industrial do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), Suzana Maria Serrão Guimarães. Os produtos premiados são todos protegidos por patentes. Mas o principal é que a criatividade do profissional brasileiro inverteu a incômoda condição a que o País se submetia de copiador, quando era comum trazer peças do Exterior para terem seu design reproduzido aqui.

Suzana Guimarães comemora o fato da realidade atual ser outra. Há muito tempo, Bauru se insere na economia também com empresas geradoras de marcas e patentes. Entre os segmentos que mais registram estão as indústrias de alimentos, editorial, setor moveleiro, baterias e utensílios domésticos.

O diretor de uma grande indústria da cidade, Marco Antonio Pereira, vê nesse movimento de registro de patentes (marcas, idéia e design) a garantia de que os produtos brasileiros para exportação passem a valer mais. “Na medida em que o Brasil disputa mercados internacionais, é importante que a gente possa agregar valor ao nosso produto e não apenas vender commodities”, ressalta o industrial.

Ele acrescenta que o produto industrializado adquire alto valor quando se agrega idéias, desenhos, valores, a uma única peça. Porém, como lembra Pereira, é fundamental que o empresário brasileiro defenda suas invenções e lute para que estes direitos sejam respeitados. “Agora, isso é via de mão dupla. O Brasil também precisa respeitar as patentes que estão lá fora, das empresas que criaram e tiveram a sua pesquisa feita e reconhecida pelos institutos internacionais, inclusive pelo Brasil”, cutuca.

Pereira entende que o respeito ao direito das empresas internacionais é a garantia de que o produto brasileiro tenha cada vez mais acesso ao mercado internacional. Ele dirige uma indústria que possui cerca de 1.000 patentes deferidas ou com processo em andamento.

Ao defender o direito da preservação das patentes, o empresário justifica sua posição como estímulo à criação de novos produtos e a garantia de que a empresa brasileira poderá usufruir de sua pesquisa e do mercado conquistado. “A proteção é a única forma que se tem de remunerar a pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos. Isso incentiva e motiva as empresas a investirem em pesquisa.”

Sua empresa está há 18 anos no mercado e exporta utilidades domésticas para 33 países. O empresário comenta que o foco das suas patentes está nas novas formas, conseguidas por meio do desenho, e novas funções para os produtos.

Carlos Alberto Maier Hage, do Inpi, observa que aquele que detém o registro de patente consegue proibir a cópia e ainda receber pela reprodução indevida de uma peça reproduzida.

Para conscientizar o empresariado de Bauru, a diretoria regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e uma indústria local promoveram, na semana passada, um ciclo de palestras com técnicos do Inpi. O tema desenvolvido foi “Patentes e Desenhos Industriais”, com os palestrantes Carlos Pazos Rodrigues, Carlos Alberto Maier Hage e Suzana Maria Serrão Guimarães.