O ranking de homicídios em Bauru não pára de crescer. Só nos primeiros dias de dezembro, outros dois assassinatos foram registrados e elevaram para 60 o total de pessoas mortas em circunstâncias violentas. Os números são impiedosos principalmente para a região Oeste, que concentra a maioria dos casos.
No entanto, a última vítima foi encontrada na noite de anteontem agonizando numa estrada de terra que se inicia entre as quadras 2 e 3 a rua dos Pedreiros, no Núcleo Gasparini, região Leste. Com duas perfurações à bala no abdômen e uma na nuca, Robson Serpa Ribeiro, 20 anos, foi socorrido por Policiais Militares (PM) ao Pronto-Socorro Central, onde já chegou sem vida.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a autoria do homicídio. Simultaneamente, manterá as operações preventivas para coibir a notificação de outros casos em qualquer região da cidade. “Isso é sintomático (o fato de a maioria das mortes se concentrar na região Oeste). Antigamente, o problema (era crítico) no Ferradura Mirim. Lá, prendemos muita gente e deu uma melhoradaâ€, explica o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J.Cardia.
Migração
De acordo com ele, os bairros campeões em número de mortes vão se alternando conforme a migração de “marginaisâ€. “Nós fazemos um mapeamento dessas áreas (perigosas) e, depois, uma blitz para procurar armas. A partir daí (os índices) caem. Dá para fazer o preventivo, mas não para evitar as mortes, porque não sabemos o que está acontecendo dentro das casas (quando a pessoa está planejando um homicídio)â€, diz.
Concorda com o delegado o comandante da 3.ª Companhia da PM, capitão Flávio Jun Kitazume, que responde pela regiôes Oeste e Leste da cidade. Ele informa que a maioria dos casos de homicídio da região Oeste foi registrada no início do ano.
“Depois, a incidência baixa. Algumas ações já vinham sendo tomadas e continuam. Fazemos abordagens em bares junto com a fiscalização (da prefeitura para checar alvará, por exemplo). Depois, voltamos quando estão reunidos, num trabalho de altíssimo riscoâ€, esclarece.
Um outro trabalho realizado pela 3.ª Companhia é o de levantar informações sobre pessoas ou grupos em situação de rixa, além de promover o desarmamento.
“Com todo o trabalho realizado e com a campanha (de desarmamento), sabemos que ainda tem muita arma na mão de marginais. A grande maioria (das vítimas) é do sexo masculino, com passagem pela polícia e com envolvimento com drogasâ€, conclui o capitão.
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Conseg: desemprego puxa índice para cima
Trabalho. É com essa a arma que o Conselho Comunitário de Segurança Noroeste/Oeste espera tirar a região do topo do ranking de homicídios. Na opinião do presidente da entidade, Osvaldi Martins, a falta de emprego e a situação de carência ajudam as pessoas a fazer “besteirasâ€.
“Estamos buscando parcerias para oferecer cursos. Além disso, estamos fazendo um trabalho de orientação nas casas. É muita carênciaâ€, comenta Martins, que também é presidente da Associação de Moradores do Parque Viaduto e de bairros adjacentes da região Oeste.
No entanto, na opinião do comandante da 3.ª Companhia da Polícia Militar (PM), capitão Flávio Jun Kitazume, a pobreza não tem relação direta com a incidência de homicídios. “Geralmente o traficante tem um poder aquisitivo maior que os outros. A arma custa, mesmo no mercado negro. A cooptação (de jovens ao crime) pode ocorrer em função da falta de expectativaâ€, pondera.
Concorda com ele, um morador do Jardim Vitória, que preferiu não se identificar. Vivendo há 25 anos em um bairro da zona Oeste que é considerado perigoso, ele diz que os amigos do filho, cuja faixa etária é de 18 anos, já estão praticando roubos pela cidade. Por essa razão, se sente inseguro ao morar com a família na região.
Assim como ele, 15,4% da população de Bauru ainda estão em situação de risco, com indicadores que apontam alta exposição à miséria, baixa escolaridade e violência.
Os números, divulgados pelo JC na semana passada, fazem parte do Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS), elaborado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) a pedido da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, e baseados no Censo de 2000.