08 de julho de 2026
Polícia

Região Oeste é campeã em homicídios

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O ranking de homicídios em Bauru não pára de crescer. Só nos primeiros dias de dezembro, outros dois assassinatos foram registrados e elevaram para 60 o total de pessoas mortas em circunstâncias violentas. Os números são impiedosos principalmente para a região Oeste, que concentra a maioria dos casos.

No entanto, a última vítima foi encontrada na noite de anteontem agonizando numa estrada de terra que se inicia entre as quadras 2 e 3 a rua dos Pedreiros, no Núcleo Gasparini, região Leste. Com duas perfurações à bala no abdômen e uma na nuca, Robson Serpa Ribeiro, 20 anos, foi socorrido por Policiais Militares (PM) ao Pronto-Socorro Central, onde já chegou sem vida.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar a autoria do homicídio. Simultaneamente, manterá as operações preventivas para coibir a notificação de outros casos em qualquer região da cidade. “Isso é sintomático (o fato de a maioria das mortes se concentrar na região Oeste). Antigamente, o problema (era crítico) no Ferradura Mirim. Lá, prendemos muita gente e deu uma melhorada”, explica o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J.Cardia.

Migração

De acordo com ele, os bairros campeões em número de mortes vão se alternando conforme a migração de “marginais”. “Nós fazemos um mapeamento dessas áreas (perigosas) e, depois, uma blitz para procurar armas. A partir daí (os índices) caem. Dá para fazer o preventivo, mas não para evitar as mortes, porque não sabemos o que está acontecendo dentro das casas (quando a pessoa está planejando um homicídio)”, diz.

Concorda com o delegado o comandante da 3.ª Companhia da PM, capitão Flávio Jun Kitazume, que responde pela regiôes Oeste e Leste da cidade. Ele informa que a maioria dos casos de homicídio da região Oeste foi registrada no início do ano.

“Depois, a incidência baixa. Algumas ações já vinham sendo tomadas e continuam. Fazemos abordagens em bares junto com a fiscalização (da prefeitura para checar alvará, por exemplo). Depois, voltamos quando estão reunidos, num trabalho de altíssimo risco”, esclarece.

Um outro trabalho realizado pela 3.ª Companhia é o de levantar informações sobre pessoas ou grupos em situação de rixa, além de promover o desarmamento.

“Com todo o trabalho realizado e com a campanha (de desarmamento), sabemos que ainda tem muita arma na mão de marginais. A grande maioria (das vítimas) é do sexo masculino, com passagem pela polícia e com envolvimento com drogas”, conclui o capitão.

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Conseg: desemprego puxa índice para cima

Trabalho. É com essa a arma que o Conselho Comunitário de Segurança Noroeste/Oeste espera tirar a região do topo do ranking de homicídios. Na opinião do presidente da entidade, Osvaldi Martins, a falta de emprego e a situação de carência ajudam as pessoas a fazer “besteiras”.

“Estamos buscando parcerias para oferecer cursos. Além disso, estamos fazendo um trabalho de orientação nas casas. É muita carência”, comenta Martins, que também é presidente da Associação de Moradores do Parque Viaduto e de bairros adjacentes da região Oeste.

No entanto, na opinião do comandante da 3.ª Companhia da Polícia Militar (PM), capitão Flávio Jun Kitazume, a pobreza não tem relação direta com a incidência de homicídios. “Geralmente o traficante tem um poder aquisitivo maior que os outros. A arma custa, mesmo no mercado negro. A cooptação (de jovens ao crime) pode ocorrer em função da falta de expectativa”, pondera.

Concorda com ele, um morador do Jardim Vitória, que preferiu não se identificar. Vivendo há 25 anos em um bairro da zona Oeste que é considerado perigoso, ele diz que os amigos do filho, cuja faixa etária é de 18 anos, já estão praticando roubos pela cidade. Por essa razão, se sente inseguro ao morar com a família na região.

Assim como ele, 15,4% da população de Bauru ainda estão em situação de risco, com indicadores que apontam alta exposição à miséria, baixa escolaridade e violência.

Os números, divulgados pelo JC na semana passada, fazem parte do Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS), elaborado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) a pedido da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, e baseados no Censo de 2000.