O produtor de laranja tem apostado no aumento de pomares e na compra de áreas em Bauru. O clima, o isolamento de pragas e das doenças típicas dos citros, o baixo preço da terra e a logística são decisivos na escolha da microrregião para a expansão do agronegócio.
O professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e engenheiro agrônomo especialista em fruticultura, Aloisio Costa Sampaio, explica que Bauru e sua microrregião agrícola já possuem cerca de 3 milhões de plantas, algumas já produzindo a fruta e outras iniciando. Ele comenta que são plantas novas com média de dois a cinco anos. “O crescimento sistemático das áreas de plantio de laranja é um processo irreversível, com incremento dos pomares de maneira crescenteâ€, projeta.
A venda de uma fazenda de 720 hectares localizada em Bauru, há cerca de quatro meses, é a mais recente transação envolvendo aquisição de terras para plantio de citros. O comprador, que preferiu não ser identificado, comentou que pretende expandir a produção dos atuais 90 mil pés para 300 mil. A produção, antes destinada para mesa (consumo in natura), agora será 100% direcionada para a indústria de suco concentrado.
A fazenda pertenceu a um produtor de Bauru por 20 anos, que também optou por se manter anônimo. De acordo com seu novo proprietário, foram pagos R$ 5 mil por hectare, em uma negociação intermediada por corretores.
Localizada na divisa entre os municípios de Bauru e Agudos, a fazenda Campo Novo é outro exemplo de ampliação de pomar. Um dos proprietários, Isaías Angeleli, revela que, em 2005, a propriedade com 50 mil pés de laranja passará a ter 75 mil plantas.
O produtor diz que 70% da produção é destinada para a mesa e o restante é comercializado com na indústria de transformação. A fazenda possui 120 alqueires e pertence a vários irmãos, que têm experiência de 20 anos na produção de citros e há cinco anos tocam o pomar. Angeleli explica que o aumento de pés na propriedade reflete a possibilidade de preços melhores no ano que vem devido à queda da safra.
O presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, revela que a agroindústria da laranja está se expandindo em direção a Bauru. Com relação à demanda por logística, ele garante que a cidade oferece aos investidores uma estrutura pronta (leia texto acima).
Os resultados do último levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) demonstram que, para os sete principais produtos das águas, a área cultivada em São Paulo deverá, em termos agregados, ter acréscimo de 4,3% comparativamente ao ano agrícola 2003/04.
Para a cultura da laranja, a estimativa final da safra 2003/04 mostrou que houve ligeiro acréscimo na área plantada (1,4%) e elevação de 9,9% na produtividade, em função da melhora das condições climáticas na florada e durante o desenvolvimento vegetativo dos pomares. A produção atingiu 360,7 milhões de caixas de 40,8 quilos, com aumento de 10,3% em relação à safra anterior. O levantamento do IEA/Cati foi realizado de 1 a 22 de setembro.
As informações que circulam no meio do agronegócio dão conta de que a região de Bauru está no caminho da expansão da citricultura, avanço que direciona as plantações até a divisa entre São Paulo e Paraná. É cada vez maior a presença de técnicos de grandes grupos, como da Votorantim, que vêm fazer prospecção de novas áreas para o plantio, com interesse de compra ou de arrendamento.
A microrregião de Bauru também atrai os investimentos em citricultura por estar livre das pragas comuns às áreas que já concentram a cultura de citros e onde os pomares são mais sensíveis às doenças.
A morte súbita de citros (MSC) apresenta-se como uma nova doença desafiadora. Descrita pela primeira vez no início de 2001, o problema ainda está restrito à região norte do Estado e Triângulo Mineiro.
Preços e empregos
Dois fatores, um relativo ao mercado interno e outro ao externo, podem tornar realidade a aposta dos produtores de que em 2005 quem investiu em laranja irá ganhar um bom dinheiro. Dois furacões atingiram as plantações da fruta nos Estados Unidos. No Brasil, houve uma quebra na safra.
Até o fim deste ano, o agronegócio deverá gerar cerca de 600 mil novos empregos. Não apenas na colheita, mas também em atividades fora das fazendas. O complexo agroindustrial gera emprego nos setores da fabricação e manutenção de máquinas e tratores, produção de corretivos e fertilizantes, agropecuária, fabricação de tortas e farelos, produção de rações balanceadas, indústria do café, beneficiamento de produtos vegetais, abate de animais, indústria de laticínios, fabricação de açúcar, de óleos vegetais, madeira, mobiliário e a indústria têxtil.
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Infra-estrutura favorece os investimentos
A realidade do campo demonstrou, com o passar das décadas, que se produz alimentos em qualquer lugar e em condições desfavoráveis, superando a tendência de estabelecer uma única vocação agrícola para os municípios.
A produção de laranja em escala industrial, lavoura em que se aposta no crescimento em Bauru, exige condições de infra-estrutura que vão além do clima, um porto seco para exportação, malha rodoviária e ferroviária para transporte de cargas e terras com preços atrativos.
O presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, revela que o preço do alqueire em Bauru custa, em média, R$ 15 mil, enquanto em áreas de plantio de cana-de-açúcar no Estado o alqueire não é vendido por menos do que R$ 30 mil, e na região de laranja o preço do alqueire alcança R$ 40 mil.
O professor da Unesp e engenheiro agrônomo especialista em fruticultura, Aloisio Costa Sampaio, entende que a microrregião de Bauru oferece a vantagem de um custo de produção inferior comparado ao das tradicionais regiões produtoras da fruta, por estar menos vulnerável a doenças e pragas.
Sampaio destaca como ponto positivo a boa disponibilidade de água para projetos de irrigação, um outro aspecto favorável para a escolha da microrregião.
Lima Verde comenta que, para que a citricultura se torne viável, são necessárias grandes lavouras com uma indústria de beneficiamento.
Sampaio entende que uma área de 3 milhões de plantas ainda não justifica, a curto prazo, a instalação de uma unidade de processamento em Bauru.