08 de julho de 2026
Cultura

Bluseiro nacional

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Blues, sim, mas com um leve toque de música brasileira. A combinação do estilo intenso da música norte-americana dos anos 20 (veja mais abaixo) com a sonoridade da bossa nova e do samba surgiu, sem querer, e há dois anos, é o diferencial do som dos músicos Lancaster e Flávio Naves.

Acompanhados da guitarra, do órgão Hammond e de mais dois músicos no baixo e na bateria, os primos Lancaster e Flávio Naves apresentam um pouco do resultado dessa união hoje, às 22h, no ginásio do Serviço Social do Comércio (Sesc).

O repertório, como adiantou Lancaster em entrevista por telefone ao JC será guiado pelo improviso. “Blues é diferente, não dá para saber. Nós seguimos o público e deixamos para escolher na última hora”, explica o músico. Apesar das surpresas, o guitarrista programou para o show temas novos, clássicos do Santana e algumas canções do primeiro CD dos músicos, Bluesamba. “E algo do tipo Muddy Waters”, completa Lancaster.

O destaque instrumental fica por conta do órgão Hammond, da década de 1950, que fica sob a responsabilidade de Flávio Naves. “O órgão dá um timbre único. Ele tem um som que nenhum teclado consegue imitar. Pode ser supersuave ou ficar com um som distorcido sem perder suas características”, explica Lancaster.

Instrumento, aliás, que serviu de inspiração para Lancaster aliar o gosto pela música brasileira instrumental dos anos 1960 ao blues, tocado por ele há mais de 20 anos. “Flávio comprou o órgão há dois anos e quando ouvi o som, bateu a inspiração”, lembra. A partir de então, pandeiro, cuíca e surdo passaram a acompanhar a guitarra e o órgão, o que ajudou a formar uma espécie de blues abrasileirado.

No show de hoje, porém, a brasilidade não será o centro das atenções. Além das surpresas por conta do improviso, Lancaster adiantou que a noite será principalmente para quem gosta de blues. “Vai ser um show mais ‘bluseiro’”, finaliza.

Abertura e wokshop

Antes do blues de Lancaster e Flávio Naves, a banda Prado Blues Band abre o show, às 21h, com seu estilo Jump Blues, uma fusão do blues tradicional com o swing-jazz dos anos 1930 e 1940. Liderada pelos irmãos Igor e Yuri Prado, a banda paulistana aproveita o evento para lançar seu primeiro CD.

O show de Lancaster e Flávio Naves faz parte do projeto “Sesc Blues”, criado pela unidade local do Sesc com o objetivo de divulgar o estilo e promover atividades ligadas ao gênero.

Para dar continuidade a essa idéia, além da apresentação, Lancaster realizará gratuitamente um workshop de guitarra, às 17h, na área de convivência do clube.

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Herança

Tido para muitos como pai de todos os gêneros musicais, o blues lançou, nos anos 20, plataformas para o desenvolvimento do jazz (gênero que nasceu no início do século 20 de uma mistura do blues com canções cantadas por negros durante o trabalho e hinos e canções religiosas de rituais de origem africana), soul, gospel, country, rap, funk, e especialmente o rock’n roll.

Os negros americanos que, no século 19, entoavam tristes melodias nas plantações de algodão na região sul dos Estados Unidos, foram os primeiros a difundir o blues. Trazendo influências africanas, o ritmo se tornou um dos principais gêneros musicais na cultura mundial, influenciando o ragtime (estilo para piano que une o erudito com ritmos negros), jazz, big bands, rhythm and blues, rock’n roll, pop, música country e clássica.

Cantado como forma de narrativa solta, cujas letras retratam dramas e melancolias, o blues também pode assumir uma característica mais antiga, com canções que abordam a realidade. Entre os principais nomes do gênero, se destacam Handy - conhecido como o “pai do blues” por ser o primeiro a orquestrar o ritmo como uma sinfonia - Blind Lemon Jefferson, Bling Blake, Son House, Robert Johnson, Charley Patton e Mississippi John Hurt.

O blues também foi muito difundido por cantoras como Mamie Smith, Gertrude “Ma” Rainey, Bessie Smith e Victoria Spivey. A partir da década de 40, a urbanização e o desenvolvimento da indústria fonográfica incentivaram a criação do blues elétrico, muito popular entre os artistas Howlin’ Wolf, Muddy Waters e John Lee Hooker, em cidades como Chicago e Detroit.

Eric Clapton, Janis Joplin, B.B. King e Jimi Hendrix são adeptos de uma fase mais recente do blues. Por meio desses músicos e de outros, anteriores e posteriores, o blues influenciou o desenvolvimento do rock’n roll.

Cristiane Goto

• Serviço

Show de Lancaster e Flávio Naves hoje, às 22h, no ginásio do Sesc. Abertura às 21h, com a banda Prado Blues Band. Os ingressos custam: R$ 10,00 e R$ 5,00 (matriculados, estudantes com comprovantes e maiores de 65 anos). Mesas R$ 5,00. Dados fornecidos pela assessoria de imprensa do Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Mais informações: (14) 3235-1750.