10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Festividades de final do ano movimentam setor artesanal

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

As fitas, madeiras, colas e tintas não vão esquentar a prateleira nesta época do ano. Enquanto estimativas de artesãos apontam até 70% de aumento nas vendas, a atividade é cada vez mais procurada na cidade. O artesanato de Bauru, enfim, agradece a chegada do Natal. “Para dar conta, trabalho dez horas por dia, às vezes até no fim de semana”, comemora a artesã Vilma Navarro.

Ela é um dos 130 artesãos cadastrados na Secretaria Municipal de Cultura (SMC) que participam da Ubá, feira de artesanato realizada há três anos na cidade. Outros 50 profissionais esperam na lista de espera por uma vaga na feira promovida pela SMC.

Embora Bauru não tenha tradição nessa atividade tampouco uma organização formal do setor, mesmo quem trabalha sozinho ou vende matéria-prima para esses profissionais tem boas expectativas para o fim do ano.

Valéria Panichi, por exemplo, há três anos dedica-se exclusivamente ao artesanato e trabalha em casa. “No Natal, as vendas crescem quase 100%, às vezes até mais.” Além de vender para particulares, Valéria atende a quatro lojas da cidade e, nos dois segmentos, a procura já aumentou.

Mas o Natal não serve de estímulo apenas para quem lucra com o artesanato. Pessoas interessadas em economizar na hora de presentear ou simplesmente em fazer para consumo próprio participam de cursos para aprender ou melhorar o que já fazem.

â€œÉ nessa época também que tem o maior aumento de procura por aulas. Normalmente, dou uma aula por semana. Agora, dou três”, afirma Panichi. Em uma loja do Centro da cidade que também oferece cursos de artesanato, o aumento de alunos foi próximo de 50% desde outubro. Números comemorados pelas lojas do comércio que abastecem esse público. Munidas de uma variedade de materiais e de produtos finais a preços acessíveis, o setor já sente o efeito do Natal desde o mês passado.

“O movimento começa em novembro. Geralmente superamos os outros meses em 30% ou 40%. Para este ano, esperamos vender 30% a mais do que no ano passado”, afirma a gerente de uma loja de materiais do centro da cidade, Tania Ribeiro Soares.

Para Christiane Tanaka, também proprietária de uma loja de matéria-prima e de produtos artesanais, o Natal representa um aumento de 30% nas vendas e equipara-se ao Dia das Mães. Em relação ao ano anterior, Tanaka é mais ponderada. “A expectativa é de manter os resultados.”

Poderia ser melhor

Os profissionais consultados pela reportagem estão contentes com a chegada do Natal, mas afirmam que os bons resultados poderiam durar o ano todo. “Muitos artesãos têm outra profissão e não podem se dedicar exclusivamente a isso. Mas acho que os artesãos precisam se unir mais”, opina uma das coordenadoras da feira Ubá, Cris Jardim.

Por união pode-se interpretar a formação de associações ou cooperativas, organizações que, dentre outros benefícios, formalizariam o setor, facilitariam a compra de matérias-primas e a venda dos produtos finais.

“Em nome de uma associação, os profissionais têm mais credibilidade no mercado”, acrescenta Vilma Navarro. Ela lembra ainda que é preciso muita dedicação para manter um grupo como esse. Há poucos anos, juntamente com outros artesãos, tentou organizar um, mas não teve sucesso. Para Vilma, a falta de união atrapalhou.

Motivo parecido é alegado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Bauru (Sebrae). O órgão oferece um programa que tem o objetivo de profissionalizar e inserir o artesão no mercado. Segundo informações do site do Sebrae, 11 cidades da região, dentre elas Bauru, são atendidas. Dessas, quatro (Barra Bonita, Bariri, Dois Córregos e Jaú) já têm cooperativa e inclusive exportam a produção para a Itália e Japão.

Em Bauru, de acordo com essas informações, cerca de 300 artesãos passaram pelos cursos de capacitação do programa, mas nenhum grupo foi formalizado até o momento. O que contribui para que a cidade fique de fora de estatísticas como a do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que aponta uma movimentação anual de recursos na ordem de R$ 28 bilhões pelo artesanato.

Atualmente, o caminho mais fácil para o artesão ter garantias é oferecido pela Secretaria da Cultura, que em conjunto com a Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades (Sutaco), oferece a carteira do artesão. Espécie de identificação do profissional, o documento facilita sua atuação em feiras e na compra e venda de produtos.

Caminho que certamente será seguido pela servidora municipal Elizabethe Passos de Carvalho. A pouco tempo da aposentadoria, a artesã por hobby já adianta: “No dia em que me aposentar, vou me dedicar só ao artesanato”.

• Serviço

Os interessados em adquirir a carteira do artesão podem entrar em contato com a Secretaria Municipal de Cultura pelo telefone (14) 3235-1072. Informações sobre os cursos oferecidos pelo Sebrae pelo (14) 3234-1499.