O Conselho Regional de Medicina (CRM) avalia que atual situação de penúria do sistema público de saúde de Bauru, em especial a do setor de pediatria, é causada por uma diretriz administrativa equivocada que privilegia a estrutura de emergência em detrimento aos investimentos na rede básica de saúde e em políticas de recursos humanos. “A cidade está acéfala em termos de política de saúdeâ€, afirma o médico urologista Carlos Alberto Monte Gobbo, conselheiro da regional de Bauru do CRM.
Sobre a suposta “aversão†dos médicos pediatras em relação à prestação de serviço na rede municipal, Gobbo diz que isso se deve à total desarticulação da rede de atendimento primário e à defasagem salarial, agravada por um sistema “revoltante†das gratificações.
O conselheiro do CRM se refere ao salário-base de R$ 941,00 previsto para os médicos, para uma jornada de 20 horas semanais, e ao sistema de gratificação que prevê adicional de 125% para os profissionais do pronto-socorro (PS) e de 35% para os das unidades básicas. “Como todo o sistema está desarticulado, é comum um médico trabalhar ao lado de um colega que ganha muito mais que ele. Isso causa descontentamento e revoltaâ€, diz Gobbo.
Além disso, segundo ele, o desmonte da rede de atendimento primário, com a transformação de unidades básicas em pronto-atendimento, trouxe um desgaste extra à categoria, pois o acompanhamento das crianças fica prejudicado. “Na unidade básica, por exemplo, a criança tem prontuário, o que não acontece nos PSs. Isso piora o atendimento e os médicos acabam se transformando em ‘pára-choque’ da revolta da populaçãoâ€, comenta.
Gobbo lembra que o próprio CRM acusou a falta de estrutura nas unidades descentralizadas da Vila Ipiranga, Bela Vista e Mary Dota, denúncia que acabou se transformando num Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a prefeitura e o Ministério Público (MP). Pelo acordo, o município está obrigado a reformar e ampliar as três unidades até o final de 2005, sob pena de pagar multa diária de R$ 3.900,00 se não cumpri-lo.