Nas entidades e instituições que assistem de recém-nascidos a idosos, o trabalho, a dedicação e o carinho a todos os atendidos não seriam possíveis sem a ação dos voluntários. São cidadãos que transformam momentos de folga de sua vida pessoal em horas de verdadeiro compromisso com pessoas muitas vezes dependentes apenas desse gesto para sobreviver. Hoje comemora-se o Dia Internacional do Voluntariado.
Por outro lado, os voluntários não esperam nada em troca e ainda acabam recebendo muito mais do que poderiam desejar. É o que diz o bancário aposentado Nelson Bastos, que oferece sua ajuda a algumas entidades de Bauru desde 1976. Atualmente, ele é diretor do Centro Espírita Amor e Caridade e da Creche e Berçário Nova Esperança.
Para Bastos, um verdadeiro voluntário faz seu trabalho somente para ajudar seu semelhante. “O que cada um pode fazer, está bem feito. O importante é que a pessoa acaba recebendo muito mais do que oferece. É sempre feliz uma pessoa voluntária, porque ela dá seu tempo mas recebe bons pensamentos e a tranqüilidade de ser útil ao próximoâ€, destaca.
Ele comenta que começou a ajudar em algumas entidades porque se achava com tempo de sobra. “Eu atendi um chamamento e precisava fazer algo para preencher meu tempo. Hoje, é uma necessidade, é como a cachaça, a gente não consegue viver sem (risos)â€, brinca.
Dedicação e amizades
Na opinião de Joana Fagundes Kanno, que é voluntária na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru há 25 anos, a ação de auxiliar uma entidade sem esperar qualquer remuneração é uma maneira de se dedicar a pessoas que sabem aproveitar dessa atitude. “Eu gosto de me dedicar às pessoas que precisam, e com o que eu colaboro, ganho mais ainda para minha vida. Com quase 70 anos, não quero ficar uma velhinha a mais. Trabalhando na Apae, eu me sinto rejuvenescidaâ€, diz.
Além de aquecer o coração, o trabalho ainda traz outro benefício: as amizades. Na última sexta-feira, um grupo de pessoas que atuam juntas em algumas entidades da cidade se reuniu para comemorar o Dia Internacional do Voluntariado. “Ao invés de ficar reclamando de doença e de tanta coisa, é melhor a gente se doar ao próximo. A gente vê esse resultado aparecer e ainda faz amigos de verdade, pessoas com quem a gente gosta de passar o nosso tempoâ€, revela Joana.
Sem parar
Aos 94 anos, Abibia Monteiro não pensa em parar de trabalhar na Apae e nas oficinas de Santa Rita, onde ajuda a preparar enxovais para famílias carentes. “Me agrada imensamente poder ser voluntária. Essa atitude traz mais benefícios para o voluntário do que para qualquer outra pessoa. Enquanto você trabalha, não se preocupa com nada a não ser ajudar o próximoâ€, define dona Bibi, como é conhecida na cidade.
Para ela, as ações voluntárias poderiam até mesmo ser obrigatórias. â€œÉ um serviço que é espontâneo, mas que traz muitas alegrias. É muito gostoso e, enquanto puder, estarei trabalhando, é uma coisa que está dentro de mim, é de coraçãoâ€, finaliza.