O prefeito eleito Tuga Angerami (PDT) vai herdar de seu antecessor, a partir de 1 de janeiro próximo, uma máquina administrativa pesada, grande o suficiente para agregar setores letárgicos e desprovidos de novas tecnologias. Soma-se a isso a desmotivação dos cerca de 6 mil servidores, cujos salários estão achatados. O quadro mostra uma engrenagem lenta.
Considerada a maior empresa da cidade, a prefeitura é um gigante que emprega 6 mil servidores, que consomem uma folha mensal de pagamento de R$ 7,2 milhões (sem os encargos sociais). Embora os números sejam fantásticos, a reclamação é geral por parte do único cliente da administração municipal: a população.
O que precisa ser feito para girar a engrenagem dessa máquina a ponto de satisfazer seus cerca de 350 mil usuários? Na opinião do ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB), além de equipamentos de ponta para dar suporte no atendimento da demanda, a nova gestão que se instalará a partir de janeiro deve voltar suas atenções para o treinamento de pessoal.
“O Tuga com certeza tem seus projetos. Mas entendo que é um trabalho de médio e longo prazos. A prefeitura precisa se aparelhar melhor através da informatização. Embora seja poder público, ela precisa responder como uma empresa privadaâ€, analisa.
Para o peemedebista, a administração pública tradicionalmente é mais lenta. “E conseguir ser ágil como o setor privado é um desafio para a área pública. Acredito que a tendência é ajustar salários, produtividade e a receitaâ€, diz.
Números ascendentes
Nas décadas de 70 e 80, Bauru ainda era considerada uma cidade com clima interiorano, bem diferente do cenário que hoje se apresenta. Osvaldo Sbeghen, ex-prefeito no período de 1977 a 1983, é um defensor da categoria dos servidores públicos municipais.
“Minha convivência com o funcionalismo foi muito boa. Era uma verdadeira famíliaâ€, lembra. Bastante conhecido pela sua maneira de tocar obras, Sbeghen levantava cedo para “correr o trechoâ€. “Naquela época, o funcionário trabalhava com garra porque havia a possibilidade dele avançar uma letra no final do anoâ€, opina. Mas o ex-prefeito assusta-se ao lembrar dos números de sua administração se comparados com os disponíveis na atual gestão.
“Nós encerramos a nossa gestão, em fevereiro de 1983, com 1.450 servidores. Seis anos antes, quando assumimos, eles eram 1.360, ou seja, contratamos 90 funcionários nesse períodoâ€, informa.
Hoje, com um quadro de 4.657 servidores na administração direta, o triplo de sua época, ele pergunta: “A cidade também triplicou? Nós gastávamos entre 35% a 42% da arrecadação com a folha de pagamento. Hoje, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, a prefeitura gasta 52%â€, comenta.
Embora não tenha avaliado o mérito de suas colocações, o que o ex-prefeito deve se perguntar também é por que o número de servidores triplicou, com o respectivo aumento nos gastos de pessoal, e a prestação de serviços à população não avançou na mesma velocidade?
Nos seis que passou no comando da maior empresa da cidade, o prefeito Nilson Costa revela que teve boas surpresas na convivência com o funcionalismo público municipal. â€œÉ lógico que num conglomerado humano como a administração há talentos, mas há também elementos que se encostam à espera da aposentadoriaâ€, opina.
Na avaliação dele, a prefeitura não está inchada. “As secretarias de Saúde e da Educação consomem o maior número de pessoal. Temos um magistério excelente. O serviço desempenhado pela Secretaria de Obras é de dar inveja a qualquer empreiteiraâ€, elogia.
Para Nilson, o maior desafio do prefeito eleito Tuga Angerami no que diz respeito ao funcionalismo será a reorganização da categoria. “Se ele mexer com o estatuto, vai encontrar uma enorme dificuldade porque isso mexe com pessoas e funções. Será uma tarefa difícilâ€, prevê.