09 de julho de 2026
Política

Estrutura pesada emperra prefeitura

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O prefeito eleito Tuga Angerami (PDT) vai herdar de seu antecessor, a partir de 1 de janeiro próximo, uma máquina administrativa pesada, grande o suficiente para agregar setores letárgicos e desprovidos de novas tecnologias. Soma-se a isso a desmotivação dos cerca de 6 mil servidores, cujos salários estão achatados. O quadro mostra uma engrenagem lenta.

Considerada a maior empresa da cidade, a prefeitura é um gigante que emprega 6 mil servidores, que consomem uma folha mensal de pagamento de R$ 7,2 milhões (sem os encargos sociais). Embora os números sejam fantásticos, a reclamação é geral por parte do único cliente da administração municipal: a população.

O que precisa ser feito para girar a engrenagem dessa máquina a ponto de satisfazer seus cerca de 350 mil usuários? Na opinião do ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB), além de equipamentos de ponta para dar suporte no atendimento da demanda, a nova gestão que se instalará a partir de janeiro deve voltar suas atenções para o treinamento de pessoal.

“O Tuga com certeza tem seus projetos. Mas entendo que é um trabalho de médio e longo prazos. A prefeitura precisa se aparelhar melhor através da informatização. Embora seja poder público, ela precisa responder como uma empresa privada”, analisa.

Para o peemedebista, a administração pública tradicionalmente é mais lenta. “E conseguir ser ágil como o setor privado é um desafio para a área pública. Acredito que a tendência é ajustar salários, produtividade e a receita”, diz.

Números ascendentes

Nas décadas de 70 e 80, Bauru ainda era considerada uma cidade com clima interiorano, bem diferente do cenário que hoje se apresenta. Osvaldo Sbeghen, ex-prefeito no período de 1977 a 1983, é um defensor da categoria dos servidores públicos municipais.

“Minha convivência com o funcionalismo foi muito boa. Era uma verdadeira família”, lembra. Bastante conhecido pela sua maneira de tocar obras, Sbeghen levantava cedo para “correr o trecho”. “Naquela época, o funcionário trabalhava com garra porque havia a possibilidade dele avançar uma letra no final do ano”, opina. Mas o ex-prefeito assusta-se ao lembrar dos números de sua administração se comparados com os disponíveis na atual gestão.

“Nós encerramos a nossa gestão, em fevereiro de 1983, com 1.450 servidores. Seis anos antes, quando assumimos, eles eram 1.360, ou seja, contratamos 90 funcionários nesse período”, informa.

Hoje, com um quadro de 4.657 servidores na administração direta, o triplo de sua época, ele pergunta: “A cidade também triplicou? Nós gastávamos entre 35% a 42% da arrecadação com a folha de pagamento. Hoje, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, a prefeitura gasta 52%”, comenta.

Embora não tenha avaliado o mérito de suas colocações, o que o ex-prefeito deve se perguntar também é por que o número de servidores triplicou, com o respectivo aumento nos gastos de pessoal, e a prestação de serviços à população não avançou na mesma velocidade?

Nos seis que passou no comando da maior empresa da cidade, o prefeito Nilson Costa revela que teve boas surpresas na convivência com o funcionalismo público municipal. â€œÉ lógico que num conglomerado humano como a administração há talentos, mas há também elementos que se encostam à espera da aposentadoria”, opina.

Na avaliação dele, a prefeitura não está inchada. “As secretarias de Saúde e da Educação consomem o maior número de pessoal. Temos um magistério excelente. O serviço desempenhado pela Secretaria de Obras é de dar inveja a qualquer empreiteira”, elogia.

Para Nilson, o maior desafio do prefeito eleito Tuga Angerami no que diz respeito ao funcionalismo será a reorganização da categoria. “Se ele mexer com o estatuto, vai encontrar uma enorme dificuldade porque isso mexe com pessoas e funções. Será uma tarefa difícil”, prevê.