07 de julho de 2026
Ser

Grisalhas, com orgulho e prazer

Sabrina Magalhães (com AE)
| Tempo de leitura: 3 min

Praticidade, autenticidade ou simplesmente bem-estar. Estes são os principais argumentos das mulheres que deixaram as tintas de lado para assumir seus cabelos grisalhos ou brancos. Uma escolha que vem ganhando cada vez mais adeptas. Inclusive entre as famosas, como a atriz Glória Menezes, que já usa o estilo curto e natural há alguns anos.

E o que não faltam são exemplos. Regina Buongermino é professora, 55 anos. Sua amiga Rosiris da Silva Prado, 56 anos, é dona de casa, assim como Florinda Mendagolli Rensende (67 anos), Maria de Lourdes da Fonseca Costa (88 anos) e Yvibbe Murad Aude (75 anos). Maria Bonomi (69 anos) é artista plástica. E há também a professora Ana Tereza Pinto de Oliveira (56 anos) e a paisagista Luciana Cecchi (41 anos).

Apesar da insistência de amigas, dos cabeleireiros e da pressão generalizada, mantêm seus cabelos brancos, lindos, sem nenhuma gota de tinta.

Diferentes da maioria, elas são grisalhas com orgulho, por uma questão de atitude, falta de paciência com cabeleireiro, praticidade, marca pessoal. Ou num misto de tudo. E garantem que não pretendem mudar – são a vanguarda, segundo cabeleireiros, deuma espécie de novo conceito de beleza rebelde.

“Acho que é a repetição do que eu fazia nos anos 70, quando pouca gente pintava e eu estava cada vez com os cabelos de uma cor. Minha mãe dizia que eu ia ficar careca de tanta química”, lembra Regina. “Continuo sendo diferente”, reforça.

Para Maria Bonomi, é um charme diferente do de quem usa colorações sempre parecidas. â€œÉ o jogo da verdade. Não quero que pensem que sou mais velha, menos velha ou estou fingindo ou fantasiando uma idade. Para mim verdade é um fator absoluto e obrigatório”, argumenta a artista plástica. Ela acaba de chegar de Milão, com os cabelos cortados pelo cabeleireiro Petris, que mexe na cabeça de atrizes de cinema e modelos mais famosas da Europa.

“Gosto do meu cabelo assim. É apenas um cabelo natural, por que não? Aliás, dizem que os cabelos só branqueiam quando a parte do corpo que você mais usa é a cabeça”. comemora.

E as fãs de cabelos brancos só aumentam.Comoa comerciária Maria Luiza Keunecke Salerno, 55 anos, grisalha assumida há quatro meses. "Eram vermelhos e cacheados, quando pintei pela última vez. Última mesmo, não pinto nunca mais”, diz ela. “Meu dermatologista me ensinou a passar vinagre branco no último enxágüe para não amarelarem”, compartilha.

Desafio

Se deixar os cabelos brancos dá trabalho, agüentar a pressão social dá muito mais. “Acho que é um ato de coragem”, alega a professora universitária Ana Tereza. “A pressão parou quando eu disse aos gritos a minhas amigas que elas queriam que eu pintasse os cabelos porque meu branco revelava a idade de todas nós”, conta Regina.

História contrária à da dona de casa Florinda - grisalha a pedido do marido. “Desde que começaram os primeiros brancos, ele diz que fica bonito assim”, ressalta. “E me olha com tanto carinho, que não tenho coragem de mudar a cor”, comenta.

Maria de Lourdes pintou os cabelos por cerca de dez anos. “Depois achei que era bobagem colorir, resolvi assumir os brancos e confesso que fiquei mais satisfeita com minha nova fisionomia. Os cabelos estão brancos há uns 25 anos e me sinto mais realizada assim”, observa.

“Eu tinha uma tia que tinha o cabelo branquinho e eu adorava vê-la. Desde muito jovem eu dizia que não pintaria os cabelos e nunca nem pensei em passar tinta, nem qualquer outro tipo de produto químico. Acho que se eu passasse uma tinta, não me acostumaria, não me sentiria bem. Mas vou ao cabeleireiro a cada 15 ou 30 dias para mantê-lo arrumadinho”, admite.

Se tingir é um jeito colorido de tentar esconder a idade a comerciária Maria Luiza retruca: o branco é questão de atitude diante da pressão social antivelhice. “Você tem de se gostar do jeito que é. Não adianta pintar cabelo e esticar o rosto, as mãos denunciam a idade. Cada um deve decidir qual é o seu padrão e segui-lo”, acrescenta.