08 de julho de 2026
Cultura

Atômicos e maduros

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

A maior banda da atualidade está de volta, sem nunca ter ido embora. Quatro anos depois do bem sucedido e roqueiro - “All That You Can’t Leave Behind” e da turnê que se transformou em dois DVDs históricos (“Elevation 2001: Live in Boston” e “Go Home”), os irlandeses do U2 lançam seu 11.º disco de estúdio, “How to Dismantle an Atomic Bomb”.

O álbum segue a linha que determinou o sucesso de seu antecessor, deixando para trás as experimentações com música eletrônica, que dominaram os discos da banda nos anos 90. A aposta é no rock, bom e maduro.

Maduro, sim, porque Bono, The Edge, Larry Mullen Jr. e Adam Clayton já têm quase 25 anos de carreira e assumem o quanto a maturidade mudou o som da banda. No entanto, isso não é sinônimo de preguiça e as músicas não ficam devendo em nada para o que se espera do U2. Alguns artistas são assim: o som de um novo CD é exatamente o que se esperava, feliz ou infelizmente. No caso do U2, isso é ótimo.

O único senão de “Atomic Bomb” é a diferença entre o ótimo primeiro single, “Vertigo”, e o restante das músicas, tão boas quanto, mas muito menos enérgicas a não ser por “Love and Peace or Else”. A partir da faixa 2, o CD fica mais para “Stuck in a Moment You Can’t Get Out Of” do que para “Elevation”, do álbum anterior.

Em entrevistas, Bono confessou que esse é o disco em que um guitarrista nervoso (Edge) mostra que está cansado de ver o cantor de sua banda tentando salvar o mundo. As guitarras de Edge realmente são o guia de todas as músicas do álbum, muito bem amparadas pela cozinha de Mullen e Clayton. A voz de Bono denuncia os anos que o grupo tem de estrada, e mais uma vez, isso só acrescenta no resultado final.

No DVD encartado junto com o CD, em edição especial, há algumas histórias de estúdio, a gravação de três músicas e o clipe-demo de “Vertigo”, que segundo Bono, tem um certo paralelo com uma das primeiras músicas da banda, “Stories for Boys”. Cabe aos fãs encontrar.

Destaque também para “Sometimes You Can’t Make It On Your Own”, escrita pelo cantor para seu pai, falecido nesse ano, “City of Blinding Lights” e “Crumbs From Your Table”, a primeira música escrita enquanto a banda tomava um porre.

E para confirmar que Bono, Edge, Larry Mullen e Adam Clayton ainda são a maior banda da atualidade e que o CD tem o “selo U2 de qualidade”, nessa semana “Atomic Bomb” tomou o primeiro lugar nas paradas americanas de “Encore”, novo álbum do rapper Eminem. Nem precisava.