08 de julho de 2026
Geral

Desemprego passa longe de cuidadores

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Embora os índices oficiais apontem uma leve queda no percentual de desempregados no País, a falta de trabalho ainda é razão para noites mal dormidas. No entanto, entre os cuidadores de idosos, há quem reclame da impossibilidade de atender tantas ofertas. Por causa da demanda, até os currículos baseados estritamente na experiência pessoal são concorridos em Bauru.

Um deles é o de Maria Barnes de la Fuente, 75 anos. Ela aprendeu no dia-a-dia a técnica de dar banho em idosos, trocar fralda, alimentar, medicar e até fazer curativos, segundo as orientações médicas.

Após 15 anos de trabalhos prestados, atualmente ela dispensa propostas, embora nunca tenha cursado disciplinas referentes à atividade. “Não tem falta de emprego. Aprendi tudo na prática”, diz. Porém, se fosse mais nova, faria enfermagem para aprender a aplicar uma injeção, por exemplo.

O curso já foi incluído no currículo de Cristina Martins, 27 anos, que ainda freqüenta as aulas. “O enfermagem lida muito com a técnica. O cuidador tem de ter a experiência, aí o trabalho sai perfeito. O ideal é aliar as duas coisas”, diz a moça que tem cinco anos de atividades na área. Ela tornou-se cuidadora após fazer um curso de bombeiro civil.

Assim como as colegas, a remuneração mensal dela varia entre R$ 800,00 a R$ 1.200,00, dependendo do cliente e do trabalho realizado.

“Muita gente faz o trabalho em casa sem saber que é cuidadora. A gente observa que a família (de um idoso ou de um acamado) vive em função dele. Às vezes, (a pessoa) deixa de ter identidade própria”, explica Maria Elisabete Nardi, administradora geral da Sociedade para Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri).

A entidade oferece cursos para parentes que se encontram nesta situação, para pessoas que exercem atividades na área ou interessados. Só neste ano, cerca de 90 pessoas participaram das aulas teóricas e práticas ministradas por médicos, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros e fonoaudiólogos. Nardi confirma a escassez de profissionais na área, mas ressalta que muita gente realiza trabalho voluntário.

Ela não dispõe de estatísticas sobre o total de cuidadores em Bauru, assim como o presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa de Bauru, Ubaldo Benjamim. Segundo ele, pouca gente procura a entidade para buscar esse tipo de informação. Mesmo assim, por acreditar que a demanda seja grande, o conselho oferecerá um curso sobre a atividade no próximo sábado.

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Família busca tranqüilidade

Tranqüilidade. Foi em busca desse objetivo que Luciana Amaral Bahia providenciou uma cuidadora para prestar serviços em casa. O marido dela enfrenta problemas de saúde, o que exige uma dieta especializada, por exemplo. “Descarrega muito a minha cabeça”, diz ela.

Pela mesma razão, Neder Carrara contratou Maria Barnes de la Fuente para cuidar da mãe. A relação de trabalho foi fortalecida por vínculos pessoais. “Ela tornou-se uma pessoa da família. Ela prestou um excelente serviço. Ao contratar uma pessoa, a família tem de procurar alguém capacitada e fazer um levantamento da vida dela”, recomenda.

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Curso

Estresse, qualidade de vida, reabilitação, quedas e maus tratos estão entre os temas que serão abordados durante o curso de apoio e desenvolvimento de cuidadores de idosos, que será realizado no próximo sábado, na Universidade do Sagrado Coração (USC).

As aulas, que serão ministradas das 8h às 17h, são dirigidas a cuidadores informais, familiares, acompanhantes e profissionais da área de saúde. As orientações serão prestadas por uma geriatra, uma terapeuta ocupacional e uma psicóloga.

Outras informações podem ser obtidas pelos telefones (14) 8114-6429 e 3227-9501 com Fernanda ou (14) 9719-0394 e 3626-3211 com Elaine.