09 de julho de 2026
Regional

13º alivia impacto pelo fim do Estrella

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Lençóis Paulista - O pagamento do 13.º salário está servindo para amenizar o impacto negativo que o fechamento do “Banco Estrella” estaria causando no comércio de Lençóis Paulista (43 quilômetros a sudeste de Bauru).

A avaliação é de comerciantes da cidade e da Associação Comercial e Industrial (Acilpa), que esperam um início de ano difícil sem os rendimentos que o “banco” proporcionava aos seus aplicadores.

Enquanto os bancos convencionais pagam menos de 1% de juros ao mês, o “Estrella” oferecia aos seus clientes muito mais que isso - eram 7% ao mês e, segundo moradores da cidade, sempre devolveu o dinheiro corretamente. No entanto, o proprietário do banco, Oswaldo Estrella, nunca revelou qual a mágica para oferecer juros tão acima do mercado financeiro tradicional.

O banco foi fechado em setembro pela Polícia Federal e o proprietário da “instituição” teve seus bens bloqueados por determinação da Justiça para garantir a devolução do dinheiro.

“Com o 13.º, o impacto no comércio (após o fechamento do Estrella) não foi o que todo mundo esperava”, disse o diretor da Acilpa, Ricardo Viegas. “Nossa preocupação maior é quanto aos meses de janeiro e fevereiro do próximo ano.”

Historicamente, as vendas nesses dois meses sempre são fracas, mas os comerciantes de Lençóis Paulista vivem a expectativa de uma queda ainda maior.

Viegas acredita que o “efeito Estrella” é mais psicológico do que prático. “Mesmo porque não foi todo mundo que colocou a vida lá”, disse referindo-se àqueles que venderam o carro, por exemplo, para aplicar o dinheiro no “banco”. Na avaliação dele, a maior parte dos investidores aplicou o que estava sobrando. Ou seja, deixava um certo valor no “banco” o tempo todo rendendo juros.

Dono de restaurante, Viegas afirmou que para ele, o fechamento do “Estrella” acabou sendo benéfico. Pessoas que há muito haviam deixado de se alimentar fora de casa voltaram a fazê-lo.

“As pessoas abriam mão de uma série de regalias para poder poupar. Elas deixavam de sair no fim de semana para economizar. Agora, estamos recebendo esse público de volta”, avalia ele.

No setor supermercadista, os efeitos do fechamento do “banco” foram mínimos. “Não tenho do que reclamar”, declarou Claudemir Rocha Mio, um dos empresários do ramo.

Segundo ele, não houve alteração no índice de inadimplência, o que em tese significa que há dinheiro suficiente na praça para quitar as dívidas.

Nos dois meses seguintes ao fechamento do “Estrella”, o movimento, segundo informou o empresário, mais conhecido na cidade como Tupã, manteve-se normal em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o “banco” ainda estava operando.

Outro que não sentiu alteração no consumo foi o empresário Mário de Oliveira Lima Júnior, dono de uma loja de calçados. “Estou satisfeito com o movimento na loja. Mas acredito que seria maior se o banco estivesse funcionando.”

Há 11 anos no mercado, Lima diz que tem cerca de 4 mil clientes e, segundo ele, a maior parte tinha dinheiro aplicado no “Estrella”. Mesmo assim, não deixaram de gastar com calçados.

Outra realidade

Já no setor de materiais de construção, a realidade está sendo um pouco diferente. “Não dá para afirmar, com certeza, que é em razão do fechamento do banco, mas as vendas diminuíram em comparação a dezembro do ano passado”, lamentou Paulo César Bodo, empresário do ramo.

Segundo ele, a queda está em torno de 15%. A decepção é ainda maior porque havia a perspectiva de um aumento nas vendas e não de queda.

O procurador da República Pedro Antonio de Oliveira Machado, do Ministério Público Federal (MPF), disse ontem que a Polícia Federal está relacionando as pessoas que tinham dinheiro aplicado no “banco”. Depois disso, a lista será entregue a Oswaldo Estrella. Caso não haja divergência quanto aos nomes, a Justiça poderá determinar a devolução dos valores.

Segundo Machado, o MPF apresentou um pedido solicitando que a devolução partisse dos valores menores para os maiores. O procurador não revelou o valor bloqueado nem quanto dinheiro teria sido movimentado durante os dez anos de funcionamento do “banco”. Segundo ele, essas informações estão sendo mantidas em sigilo pela Justiça.