09 de julho de 2026
Bairros

Anvisa proíbe 130 remédios similares

Ieda Rodrigues com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O Ministério da Saúde cancelou o registro e proibiu a comercialização de 130 medicamentos similares destinados a tratamento de doenças de alto risco como asma, hipertensão, epilepsia, problemas cardíacos e distúrbios psiquiátricos. Também estão na lista um anticoagulante e um agente imunossupressor - usado após transplantes. Em Bauru, os remédios começaram a ser recolhidos pelos fabricantes ontem mesmo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que os medicamentos estão proibidos desde ontem porque os fabricantes não apresentaram ao Ministério da Saúde, no prazo exigido - 1 de dezembro - os testes de biodisponibilidade relativa. Apesar do número de itens, Rui Pagano, proprietário de uma rede de farmácias em Bauru, não acredita que o consumidor terá problemas em função da proibição da Anvisa.

“São medicamentos que têm similares e, via de regra, são de uso hospitalar com pouco giro nas farmárcias”, afirma. Ontem, o fabricante de um dos medicamentos proibidos, diz Pagano, já havia retirado o produto das prateleiras das suas lojas.

De acordo com a Anvisa, cabe ao detentor do registro recolher os produtos nos estabelecimentos comerciais ou de saúde. Os usuários dos medicamentos que tiveram o registro cancelado deverão consultar um médico ou um farmacêutico.

Já o proprietário de outra rede de farmácias de Bauru, que por não ter analisado a lista dos medicamentos proibidos preferiu não ter o nome divulgado, via a possibilidade de o paciente ser prejudicado. “Vamos imaginar um paciente que toma um dos remédios da lista há anos. Ele terá que consultar o médico, o que sabemos que na rede pública não é rápido, para depois comprar um substituto”, alerta.

Para ele, a exigência do teste de biodisponibilidade relativa é correta, mas antes de proibir os medicamentos, a Anvisa deveria ter feito a divulgação que a mudança iria ocorrer para que os pacientes tivessem tempo de procurar o médico e encontrar um substituto.

Já no Hospital de Base, a proibição de 130 remédios similares causará impacto, prevê o médico Samuel Fortunato, diretor clínico do hospital. “São remédios que têm substitutos, mas como são similares, o preço era menor. Agora, vamos procurar outros medicamentos de marca para substituí-los e pode ser que saiam mais caro”, ressalta.

Fortunato frisa que o hospital já deixou de usar os remédios proibidos pela Anvisa. Mas ele descarta a possibilidade de faltar medicamentos por conta da interdição. “Não são remédios de primeira linha, os mais usados, e têm substitutos”, diz.

O Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo informou, através de sua assessoria de imprensa, que não utiliza nenhum dos remédios suspensos pela Anvisa. O hospital só compra medicamentos com selo de autorização da Anvisa, para garantir a qualidade do produto.

Segundo a Anvisa, até 2009 todos os similares que estão no mercado serão submetidos ao teste de equivalência farmacêutica. Até 2014, todos os similares terão passado também pelo teste de biodisponibilidade relativa.

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Teste

Segundo a Anvisa, o teste de biodisponibilidade relativa é realizado em seres humanos e demonstra em qual quantidade e em quanto tempo, depois de administrado, um princípio ativo atinge a corrente sangüínea, em relação ao produto de referência do qual é cópia.

O medicamento similar é aquele que contém o mesmo princípio ativo, a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica, e que é equivalente ao medicamento de referência. Ele pode diferenciar em relação ao tamanho e forma do produto, prazo de validade, embalagem e rotulagem.