Santos retomou seu lugar de destaque nos roteiros de verão. É para lá que se dirigem turistas com “voucher” para cruzeiros marítimos pela costa brasileira ou que querem apenas curtir suas enormes faixas de areia emolduradas pelo maior jardim praiano do mundo.
Coincidindo com a reapresentação da novela “Deus nos Acuda”, a cidade prova seu valor. Os sobrados, sua marca registrada, passam por um processo de revitalização que também passa por zonas retratadas na trama, como o cais do porto e as ruas por onde, no passado, circulavam os primeiros imigrantes a chegar em solo brasileiro.
Recuperação que vem sendo colocada em prática graças a novas formas de parcerias com a iniciativa privada, que visam o estabecimento de operações de restauração e utilização dos 840 imóveis históricos inseridos em Área de Proteção Cultural.
Essas edificações estão enquadradas nos níveis de proteção 1 (imóveis a serem preservados interna e externamente) e de proteção 2 (imóveis com proteção parcial, incluindo apenas as fachadas, a volumetria e o telhado), que têm direito a isenções fiscais previstas no Programa Alegra Centro, transformado na Lei Complementar nº 470/2003.
Ele dá apoio à instalação de novas empresas através de iniciativas voltadas à diversificação de atividades como o comércio, entretenimento e turismo - possibilitando o fluxo de pessoas e o uso da região central por 24 horas - em conjunto com a valorização da paisagem urbana e da recuperação do Patrimônio Histórico.
O Teatro Coliseu
Uma das provas de como tem dado certo a parceria entre o governo estadual, municipal e a iniciativa privada em Santos é a recuperação do prédio do Teatro Coliseu.
Entre a inauguração, em 1909, e a atual restauração iniciada em 1996, quase um século se passou, mas todas as suas linhas originais foram mantidas.
Logo à entrada, no saguão, destaca-se o piso em granito amarelo, cinza, vermelho e preto, onde nascem 13 colunas distribuídas pelo salão e que atingem o andar superior.
O palco concentra os maiores avanços tecnológicos. A cobertura foi totalmente reconstruída com montagem de estrutura de alumínio e técnicas inovadoras, modernizando-se e atualizando-se a estrutura cenotécnica, de modo a permitir a expressão de espetáculos grandiosos, como óperas e bailes.
No teto da platéia destaca-se a pintura artística identificada como “alegoria à música”, atribuída ao italiano Fonzari e sustentada por estuque, enquanto o restante recebeu gesso. Essa e outras obras de arte foram descobertas graças ao trabalho de prospecção pictórica.
Internamente, os materiais antigos que não puderam ser reproduzidos foram substituídos por novos, semelhantes aos originais. Todas as intervenções realizaram-se a partir de fotos e documentos históricos.
Para que se possa comparar o resultado final com o original, alguns locais sem restauro foram deixados como testemunhos. É o caso dos balaústres da escada bifurcada do saguão, que conserva o revestimento em escaiola, antiga técnica espanhola empregada para imitar mármore.
Em outros pontos o material foi substituído por granito, respeitando as cores e o desenho originais. Já o guarda-corpo da escadaria do “foyer” foi refeito em madeira, sem destoar do restante do conjunto.
Do mobiliário original, somente as frisas foram restauradas. O restante do mobiliário está sendo complementado com peças contemporâneas, semelhantes às da Sala São Paulo, da Capital paulista.
Embora tenha passado por três etapas bem diferentes, o Coliseu Santista sempre funcionou onde se encontra hoje. Inaugurado em 1896 como uma praça de esportes com pista para bicicletas (velódromo) e cancha para jogo de bola, a Companhia Coliseu Santista foi adquirida pela empresa Serrador para construção de um teatro.
Iniciou seu funcionamento em 1909 e recebeu grandes espetáculos artísticos, culturais e políticos, inclusive uma conferência de Rui Barbosa sobre os monumentos históricos da cidade.
Foi sob o comando de Manuel Freixo que o teatro recebeu a configuração definitiva, sendo reinaugurado em 1924 e trazendo a Santos famosos artistas nacionais e internacionais.
Com o tempo, a mais nobre casa de espetáculos da cidade foi entrando em decadência, até transformar-se em cinema de filmes pornográficos. Acabou sendo tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Estado (Condephaat).