Prega-se difusamente a idéia de que as doenças não existem, constituindo, fundamentalmente, falsas aparências em pessoas de todas as idades e ambos os sexos. Por isso, há até os que são advertidos quando se referem a enfermidades, achando que falando delas correm o risco de provocar sua aparição em um ou outro tipo comum à sua diversidade. Logicamente, o que são elas, então, despontando nas pessoas, mesmo crianças, que para tanto nada tenham feito? Tem-se em vista, por isso, que elas não existam mesmo.
O que existe seriam apenas doentes, os quais, porém, sempre existirão em muitos lugares, sem que lhes possam constituir vergonha ou castigo, já que são externações puras e simples de uma força misteriosa, que repercute nos corpos como um todo, inclusive na velhice, a qual se assemelha a uma enfermidade mas não o é sendo, isso sim, uma determinação biológica, gerando no idoso crises de aparência e de comunicação, atrás da qual campeia uma visão disforme da humanidade, bem como presença de Deus, que criou o homem não para envelhecer, e sim para viver sadio, sem contrair doenças, com a missão de se socorrer quando necessário ou na devida idade, com idéias e pensamentos jovens e positivos. Conseqüentemente, sempre haverão doentes e não doenças em todos os tempos e que serão temores eternos.
Infensos, portanto, às enfermidades e seus males, haverão aqueles que prolonguem suas vidas como alegres crianças, sem atentar nem dar importância para os atropelos dos caminhos e, então, logrando ultrapassar a “terceira idade” para atingir gradualmente a “quarta”. Sua tarefa é, por isso, viver os desafios, perecendo um dia, naturalmente, sem os bloqueios de debilidades orgânicas, que tem possibilidade de domesticar, integrando-os à sua própria limitação de esperança, amor e psicologia, sendo, por isso mesmo que há os que pegam urnas mortuárias e mudam para endereços definitivos sem sofrimentos e sem cansaços. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado). “O tempo do mundo é o tempo do agora. Os outros já foram e não sabemos se temos ou não direito a ele”.