08 de julho de 2026
Bairros

Técnica

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Os procedimentos

empregados pela

prefeitura no reparo de

ruas de asfalto esburacadas

não são adequados

para resolver o problema.

A informação é do engenheiro

Wladimir Coelho, especialista

em pavimentação asfáltica. “A quantidade

de buracos que volta

a aparecer é muito maior

do que a capacidade que

eles têm de tapar”, diz.

Segundo Coelho, um

dos problemas está na

forma como os buracos

são cobertos com massa

asfáltica. A maneira correta

seria fazer um recorte

retangular em volta

do buraco, retirar o asfalto

dessa área até chegar

ao fundo do buraco.

Uma etapa fundamental

para o sucesso do serviço

seria limpar e secar o

buraco. “Tem que remover esse

material, limpar bem, tirar

toda a poeira. Não pode

deixar material solto lá

dentro. Depois disso, coloca-

se uma camada de pedra,

outra de asfalto líquido

e depois massa asfáltica”,

explica.

O grande segredo, de

acordo com o especialista,

é que tudo isso tem de ser

muito bem compactado.

“Não com aquela chapa

que eles usam. Aquilo não

é socar. Tem que ser com peso

de no mínimo cinco quilos.

O ideal seriam dez quilos,

no mínimo. Uma outra

maneira é passar sobre a massa

com a roda traseira do caminhão”,

sugere Coelho.

Os procedimentos adotados

pela administração municipal,

entretanto, não correspondem

ao ideal, segundo o

engenheiro. “Eles jogam pedras

com o buraco cheio de

água, não limpam, jogam material

mole no buraco, úmido.

E, infelizmente, esse material

úmido faz com que o buraco

volte a aparecer com o tempo.

Não adianta”, frisa.

O tempo necessário para

tapar um buraco da forma

considerada correta seria de

cerca de 40 minutos. “Para tapar

uma panela dessa forma

que eu falo não se faz em dez

minutos. Eles fazem tudo rapidamente

e depois de dois

meses volta tudo à estaca zero”,

critica o engenheiro.

“Eles deveriam ter equipes

muito bem treinadas sobre

a maneira correta de tapar

buraco para que o serviço durasse

pelo menos uns dois

anos. O problema não é

tão difícil de r e s o l v e r ,

mas precisa

ser bem planejado,

com várias equipes

e bom treinamento”,

acrescenta o especialista.

Dependendo do tamanho da

área danificada

do pavimento asfáltico, o ideal, segundo

Coelho, é fazer o perfilamento

ou o recapeamento (camada de asfalto mais

alta que o perfilamento). “É

remover o asfalto até a base

e fazer tudo de novo. Dependendo

do caso, se atingir

a base, tem que fazer

uma base nova. Não é simplesmente

colocar uma camada

de asfalto por cima

não”, alerta.

Assim como as operações

de tapa-buracos, os serviços

de recapeamento e de

perfilamento demandam

muitos cuidados na compactação.

A falta de atenção

nessa etapa da pavimentação

é responsável por muitos

estragos no asfalto observados

hoje em vários

pontos da cidade.

“Para não haver trincas,

é preciso ter esses cuidados.

Se não, combina a

ação destrutiva da água que

infiltra e do trânsito, com

veículos pesados, e estraga

tudo. O asfalto vai embora.

Infelizmente, há muita falta

de cuidado na execução”,

reforça o engenheiro.