Os procedimentos
empregados pela
prefeitura no reparo de
ruas de asfalto esburacadas
não são adequados
para resolver o problema.
A informação é do engenheiro
Wladimir Coelho, especialista
em pavimentação asfáltica. “A quantidade
de buracos que volta
a aparecer é muito maior
do que a capacidade que
eles têm de tapar”, diz.
Segundo Coelho, um
dos problemas está na
forma como os buracos
são cobertos com massa
asfáltica. A maneira correta
seria fazer um recorte
retangular em volta
do buraco, retirar o asfalto
dessa área até chegar
ao fundo do buraco.
Uma etapa fundamental
para o sucesso do serviço
seria limpar e secar o
buraco. “Tem que remover esse
material, limpar bem, tirar
toda a poeira. Não pode
deixar material solto lá
dentro. Depois disso, coloca-
se uma camada de pedra,
outra de asfalto líquido
e depois massa asfáltica”,
explica.
O grande segredo, de
acordo com o especialista,
é que tudo isso tem de ser
muito bem compactado.
“Não com aquela chapa
que eles usam. Aquilo não
é socar. Tem que ser com peso
de no mínimo cinco quilos.
O ideal seriam dez quilos,
no mínimo. Uma outra
maneira é passar sobre a massa
com a roda traseira do caminhão”,
sugere Coelho.
Os procedimentos adotados
pela administração municipal,
entretanto, não correspondem
ao ideal, segundo o
engenheiro. “Eles jogam pedras
com o buraco cheio de
água, não limpam, jogam material
mole no buraco, úmido.
E, infelizmente, esse material
úmido faz com que o buraco
volte a aparecer com o tempo.
Não adianta”, frisa.
O tempo necessário para
tapar um buraco da forma
considerada correta seria de
cerca de 40 minutos. “Para tapar
uma panela dessa forma
que eu falo não se faz em dez
minutos. Eles fazem tudo rapidamente
e depois de dois
meses volta tudo à estaca zero”,
critica o engenheiro.
“Eles deveriam ter equipes
muito bem treinadas sobre
a maneira correta de tapar
buraco para que o serviço durasse
pelo menos uns dois
anos. O problema não é
tão difícil de r e s o l v e r ,
mas precisa
ser bem planejado,
com várias equipes
e bom treinamento”,
acrescenta o especialista.
Dependendo do tamanho da
área danificada
do pavimento asfáltico, o ideal, segundo
Coelho, é fazer o perfilamento
ou o recapeamento (camada de asfalto mais
alta que o perfilamento). “É
remover o asfalto até a base
e fazer tudo de novo. Dependendo
do caso, se atingir
a base, tem que fazer
uma base nova. Não é simplesmente
colocar uma camada
de asfalto por cima
não”, alerta.
Assim como as operações
de tapa-buracos, os serviços
de recapeamento e de
perfilamento demandam
muitos cuidados na compactação.
A falta de atenção
nessa etapa da pavimentação
é responsável por muitos
estragos no asfalto observados
hoje em vários
pontos da cidade.
“Para não haver trincas,
é preciso ter esses cuidados.
Se não, combina a
ação destrutiva da água que
infiltra e do trânsito, com
veículos pesados, e estraga
tudo. O asfalto vai embora.
Infelizmente, há muita falta
de cuidado na execução”,
reforça o engenheiro.