08 de julho de 2026
Bairros

Sear: 'Tapa-buracos não resolve'

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 7 min

Tapar buracos não é a solução

para os problemas das

ruas de Bauru. Essa é a opinião

do titular da Secretaria

Municipal das Administrações

Regionais (Sear), Arlindo

Figueiredo.

Ele explica que, como o asfalto

das ruas de Bauru está

vencido, muitas vezes prejudicando

inclusive a base utilizada

para pavimentação, que é

de pedras ou cimento, não

adianta tapar os buracos com

um pouco de massa asfáltica.

A melhor medida, segundo

o secretário, seria cobrir

as ruas com uma nova camada

de pavimento. A técnica

chama-se perfilagem. Em

ruas de tráfego intenso, o

ideal seria o recape.

Figueiredo alega, entretanto,

falta de verbas, maquinário

e funcionários para executar

o serviço. Confira, a seguir,

trechos da entrevista concedida

ao JC nos Bairros.

JC nos Bairros - Qual é a

avaliação que o senhor faz

da situação das ruas de Bauru

hoje?

Arlindo Figueiredo - Em

julho, foram consertadas 370

ruas de asfalto, sendo 820 quadras.

Em agosto, foram 339

quadras e 156 ruas. Em setembro,

140 ruas e 293 quadras.

Em outubro, foram 253 ruas e

638 quadras. Nós controlamos

mês a mês essa quantidade.

Nossa parte é muito problemática

porque as ruas de

Bauru estão coma vida útil já

vencida. Começa a afetar a infra-

estrutura. Neste caso, começam

a surgir buracos um

atrás do outro. Você conserta

um e aparecem dois ou três

porque já está vencido. A infra-

estrutura é a camada de

baixo, que é de cimento ou pedra.

O que tem problema é a

camada de asfalto. Mas não

se deve deixar afetar a infraestrutura.

Na maioria dos casos

de Bauru, já afetou e isso

provoca constantemente os

buracos.

JC - Oque teria de ser feito?

Figueiredo - Eu tenho um

ponto de vista. Eu sou contra

o tapa-buracos. A quantidade

de asfalto que se gasta com tapa-

buracos é enorme. É grande

demais. Eu sou mais da opinião

de fazer um perfilamento

quando começam a aparecer

as pedras da pavimentação. É

uma camada pequena de asfalto

que se coloca por cima. Fica

bonito e não tem problema

nenhum. No tapa-buraco,

além de tudo, fica aquele aspecto

feio. Fica aquela mancha

de conserto. Mas é um

mal necessário quando não se

tem estrutura. Há falta de máquinas.

A (Secretaria de)

Obras tem máquinas para fazer

o recape. E, para fazer a

perfilagem, nós (Sear) teríamos

que ter um conjunto de

máquinas idêntico ao que a

Obras tem. Esse é o grande

problema que existe para manter

as ruas sempre em ordem.

Talvez, o maior problema seja

que o orçamento de Bauru

é muito baixo. Não tem arrecadação

suficiente para manter.

Quem não gostaria de ter uma

cidade sempre limpa, bonitinha,

sem nenhum problema

de asfalto? Nenhum administrador

gostaria que fosse o

contrário. Nesse aspecto em

particular influi a arrecadação,

o orçamento. Ele limita o

poder público de realizar aquilo

que seria o ideal. O orçamento

de Paulínia é de R$

437 milhões. O de Jundiaí são

três vezes mais que o de Bauru.

Esse problema é que traz

as conseqüências.

JC - Com o dinheiro que

se gasta com operações de tapa-

buracos daria para fazer

as perfilagens necessárias?

Figueiredo - Daria sim. A

diferença seria pequena. Com

pouca coisa a mais e maquinários

daria para fazer as perfilagens.

Não tenho a menor dúvida.

Essa é a minha teoria. Fica

muito mais barato. Mas isso

não pode ser colocado em

ruas de grande movimento, de

tráfego pesado. Nestes casos,

teria de ser feito o recape mesmo.

Mas, na grande maioria

das ruas pode ser perfeitamente

feita a perfilagem somente.

Para manter conservada a pavimentação.

JC - Qual é a diferença

entre as duas técnicas?

Figueiredo - O princípio é

o mesmo. A diferença é a espessura

do asfalto. A espessura

média de um recape é de

quatro a cinco centímetros. A

perfilagem são dois centímetros

só.

JC - O problema que as

pessoas vêem é que logo após

a operação de tapa-buraco,

os buracos surgem novamente,

no mesmo local, e em tamanho

ainda maior...

Figueiredo - Quando a camada

asfáltica perde a impermeabilidade,

essa umidade

afeta a parte inferior. O

carro passa e o buraco vai

aumentando tanto na profundidade

quanto na largura.

São Pedro tem buracos, Piracicaba

tem buracos, Campinas

tem buracos. Em todos

os lugares há buracos. São

Paulo também tem seus problemas

graves.

JC - Então, como o senhor

avalia a situação das

ruas de Bauru hoje?

Figueiredo - Eu posso fazer

uma experiência de sair daqui

para qualquer direção e

contar a quantidade de buracos

que tem. Não é isso tudo

que falam. Existem ruas que

estão em péssimo estado?

Existem. É o caso, por exemplo,

do Bauru 2000. Ninguém

está falando que está bom.

Mas há certos problemas que

passam pelo econômico. É o caso

desta situação crítica que

a prefeitura está vivendo hoje.

JC - Qual é a programação

para este fim de mês?

Figueiredo - Não é uma

questão de programação. Nós

damos prioridade aos problemas

graves porque nós não temos

condições de resolver tudo

de uma vez só. Aqueles

problemas mais graves são

sempre resolvidos antes. Por

exemplo, ruas em que passam

ônibus recebem preferência.

Pode ter outra pior, mas o ônibus

é um bem coletivo então

isso tem que ser feito.

JC - O problema é mais

crítico em Bauru nas ruas de

terra ou nas de asfalto?

Figueiredo - Analisando

os números, hoje, eu chego à

conclusão de que a parte de asfalto

é mais preocupante do

que a parte de terra. Na Regional

Redentor estão os maiores

problemas em ruas de terra.

Em segundo lugar, vem a Regional

Bela Vista, que pega Jaraguá,

Santa Edwirges, aquela

parte. Mas isso porque o que

nós fizemos no ano passado

nunca foi feito em Bauru nas

ruas de terra. O tipo de serviço

de terraplanagem foi feito com

muito mais qualidade do que

anteriormente. Antes, o pessoal

tirava uma camada de terra para

nivelar a rua. Nós colocamos

camadas de terra usando também

caminhão-pipa e rolo-compressor.

Os prejuízos por não terem

feito isso antes foram enormes.

Gastava-se terra e ela era

facilmente levada pela chuva.

JC - O senhor acredita que

tudo o que poderia ser feito

nessa questão de buracos em

vias públicas foi realizado?

Figueiredo - Nos cinco governos

dos quais eu participei,

em todos eles eu saí com a minha

consciência tranqüila. E

saio deste nas mesmas condições.

A consciência para mim

é muito importante. E eu tenho

essa consciência tranqüila.

Não deu para fazer aquilo que

eu desejaria fazer, mas fiz aquilo

que me foi possível fazer.

Defesa Civil

Além das dificuldades

que os moradores já enfrentam

atualmente em virtude

dos buracos, existe

um agravante: as chuvas e

a grandepossibilidade de

que elas contribuam para o

aumento dos tamanhos e

da quantidade de erosões

nas ruas da cidade.

De acordo com o coordenador

da Defesa Civil

de Bauru, Álvaro de Brito,

o período de chuvas de

Bauru começa em meados

de dezembro e é longo - estende-

se até abril. “São cerca

de quatro meses. Se fossem

25, 30, 40 dias, passaria

rápido. Em quatro meses,

a prefeitura não consegue fazer

nada de obras por causa

da chuva”, diz.

O ideal, segundo Brito, seria

que a adminitração municipal

terminasse o mês de dezembro

com as ruas em boas

condições.

“A tendência é de que os

buracos aumentem e poderão

surgir novos. A não ser que a

prefeitura conseguisse arrumar

isso antes, o que é humanamente

impossível. Então,

os buracos que já existem serão

agravados. Tanto os que

estão em ruas de terra quanto

os que estão em ruas de asfalto”,

expõe o coordenador

da Defesa Civil.

Ele frisa que em muitas

ruas de asfalto, o tapa-buracos

não funciona mais.

“Tem ruas em que não se

admite mais o remendo. Teria

que recapear. O tapa-buracos,

nesses casos, são medidas

emergenciais”, frisa.

Quanto aos problemas

em ruas de terra, Brito cita

bairros que passam por isso

anualmente como Parque

Santa Cândida, Núcleo Leão

13, Parque Roosevelt, Jardim

Tangarás, entre outros.

“A periferia toda está ruim.

É só escolher”, diz.