10 de julho de 2026
Política

Vaga na Câmara 'custa' R$ 12,8 mil

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

Os 15 vereadores eleitos para ocupar vaga na Câmara Municipal de Bauru a partir de janeiro gastaram, oficialmente e em média, R$ 12.839,95 durante a campanha deste ano. Os valores estão inseridos nos relatórios de prestação de contas apresentados por cada um deles à Justiça Eleitoral e incluem despesas com pessoal, materiais e publicidade, entre outras.

A lista é liderada pelo vereador eleito Futaro Sato (PDT), que registrou quase R$ 33 mil de despesas. “Procurei ser honesto na prestação de contas de campanha e estranho o fato de ter sido o candidato que mais gastou, porque não coloquei placas em postes nem outdoors. Além disso, pintei poucos muros”, comenta.

Sato acredita, no entanto, que uma campanha precisa estar bem estruturada para alcançar seus objetivos. “Foi mais difícil para os candidatos se elegerem este ano, até por causa do menor número de cadeiras. Aqueles que participaram de forma mais amadora não tiveram sucesso”, analisa.

O pedetista afirma que procurou concentrar seus gastos na contratação de cabos eleitorais. “Entendi que essa era a alternativa mais viável e proveitosa, até porque muitos bauruenses estavam precisando trabalhar”, destaca.

O segundo lugar no ranking ficou com o candidato Marcelo Borges (PSDB), que declarou ter gasto R$ 31,2 mil. “Só o dinheiro não vence campanha. Também é preciso ter representatividade e um bom grupo político”, opina.

Borges ressalta, porém, que os aspirantes à Câmara também dependem de um bom número de correligionários. “É preciso fazer uma divulgação do nome do candidato em todos os bairros”, argumenta.

O vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), que liderou a apuração com 5.751 votos recebidos, está exatamente no meio da lista de parlamentares eleitos que mais tiveram gastos de campanha, com R$ 9,4 mil de despesas. “A questão financeira ajuda, mas não é preponderante. Se o candidato for bem articulado e souber fazer uma campanha que sensibilize a comunidade para as suas propostas, ele consegue ter votação sem utilizar muitos recursos”, diz.

Ele cita como exemplo a campanha eleitoral de 2000. “Utilizei apenas os recursos e materiais que recebi do partido. Ainda assim, foi o suficiente para garantir minha eleição”, relata.

Economia

O vereador eleito Salvador Afonso (PDT) está em penúltimo lugar no ranking, tendo declarado despesas da ordem de apenas R$ 3,4 mil. “Assim mesmo, acho que gastei muito”, pondera.

Para Afonso, a explicação para seu desempenho nas urnas é simples. “O meu trabalho é anterior à campanha e vale muito aquilo que você planta antecipadamente”, declara.

O vereador eleito que menos gastou durante a campanha foi Arildo de Lima Júnior (PP). Suas despesas somaram R$ 2,4 mil. “Realmente, fizemos um trabalho humilde, que praticamente se limitou à distribuição de panfletos. Tivemos ajuda de alguns amigos e até o combustível foi ofertado por um deles”, relata.

Lima Júnior acredita, porém, que as chances dos candidatos que investem mais dinheiro na campanha são maiores. “Principalmente nesse quadro que Bauru apresenta atualmente, com a redução de cadeiras e a elevação do coeficiente eleitoral”, declara.

Curiosamente, os dois vereadores eleitos que mais tiveram despesas e os dois que menos apresentaram gastos não ocupam vaga na Câmara atualmente.

Entre os reeleitos, coube a José Clemente Rezende (PDT) a liderança no ranking de despesas, com R$ 20,7 mil. O parlamentar Pastor Luiz de Jesus (PTB) ficou em último lugar, com R$ 4,7 mil de gastos.

A prestação de contas deve conter, obrigatoriamente, recibo de todas as despesas e doações de campanha. O valor não pode utltrapassar o limite de gastos declarado por cada candidato antes do início da disputa.

Gastos a mais

Para o cientista político Celso Zonta, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, a prestação de contas apresentada pelos candidatos à Justiça Eleitoral não reflete necessariamente o que cada um gastou durante a campanha. “Nem todas as despesas são computadas. Há muitos processos de colaboração e doação que não entram na contabilidade”, comenta.

Zonta acredita que a média de gastos supera os R$ 12,8 mil registrados oficialmente. “Esse é o patamar mínimo para quem quer se eleger. Apenas pela percepção que tivemos durante a campanha, provavelmente houve candidatos eleitos que ultrapassaram esse valor pelo menos sete vezes”, calcula.

Em sua visão, o aspecto financeiro não é o fator mais importante de uma campanha. “De nada adianta a pessoa ter dinheiro se ela não tiver contato com a comunidade. Temos histórias de candidatos que gastaram altos volumes de dinheiro e não conseguiram ser eleitos. Da mesma forma, outros candidatos com pouquíssimos recursos já tiveram um volume grande de votos”, compara.