Quando se fala em vagas temporárias de final de ano no comércio, a primeira função que vem à memória é a de vendedor. Mas há uma outra categoria de trabalhadores que também encontra a chance de ganhar um dinheiro extra nesta época do ano: a de vigia de loja. Com o maior movimento no comércio e os estabelecimentos ficando abertos até as 22h, grande parte dos lojistas reforça a segurança para evitar furtos.
Quase todas as lojas que trabalham com grande quantidade de objetos pequenos, como as de R$ 1,99, contratam mais vigias no final do ano. Muitas lojas de confecções também investem nos olhos sempre atentos desses trabalhadores, que quase sempre atuam sem uniforme para “se misturar” entre os consumidores.
É o caso da loja de confecções femininas, masculinas e infantis gerenciada por Luiz Colpani, localizada no Calçadão da Batista de Carvalho. Dois vigias compõem o quadro fixo de funcionários, e neste final de ano, a loja reforçou a segurança com mais dois temporários.
Adriano Lopes Ferreira conquistou uma das vagas temporárias de segurança nesta loja. Para trabalhar do dia 5 até o dia 24 de dezembro ele vai receber cerca de R$ 500,00. Para ele, que já trabalhou nessa mesma função na loja em outro período, é importante ir para o trabalho bem descansado para ficar atento o tempo todo.
“Eu estava trabalhando no comércio mesmo, mas fiquei desempregado em outubro. Então, esse trabalho como temporário vai ajudar a melhorar as finanças lá em casa. É um trabalho que exige muita atenção e você tem que fica andando o tempo todo dentro da loja. Mas nunca aconteceu nada grave”, diz Ferreira.
Valdir Pereira da Silva, que é do quadro fixo da loja há quatro anos, diz que é preciso estar sempre atento. Um momento de descuido pode resultar na concretização de um furto de mercadoria. Silva trabalha sem uniforme, mas seu posicionamento dentro da loja remete logo à função de segurança.
“Tem muitas tentativas de furto dentro da loja, mas quando a gente percebe a intenção da pessoa, já nos aproximamos para inibir. Mas já teve vários casos em que a pessoa colocou uma roupa dentro da bolsa, saiu rápido da loja e eu tive que correr atrás dela na rua”, conta.
Queda dos furtos
O gerente da loja, Luiz Colpani, garante que os vigias são uma ótima alternativa para coibir furtos. “Nesse período a loja fica muito cheia, então, quanto mais gente ficando de olho, melhor. Sempre fica um vigia perto dos provadores, um perto das portas e os outros dois circulando pela loja. Alguns furtos pequenos acabam ocorrendo, mas a incidência cai muito com a contratação de mais vigias.”
Colpani conta que já houve casos em que a pessoa que foi surpreendida tentando esconder alguma peça na bolsa já havia passado por outras lojas e realizado pequenos furtos. “Quando o furto é de grande quantidade, nós levamos a pessoa até a delegacia.”
Em outra loja do Centro, especializada em artigos populares, o gerente José Carlos Zaratine diz que existe uma pessoa que desempenha a função de vigia durante o ano. Desde agosto, ganhou o reforço de outro funcionário que foi deslocado para executar essa função e de André Luiz Bueno, contratado temporariamente para ganhar o equivalente a R$ 20,00 por dia.
“Eu tenho curso de vigilante e já trabalho nessa função há algum tempo. Não uso uniforme para dificultar a minha identificação por parte dos consumidores. Quando eu percebo alguma tentativa de furto, me aproximo da pessoa e peço para ela devolver a mercadoria”, diz.
O gerente da loja afirma que, com o reforço de duas pessoas fazendo a vigilância, a quantidade de furtos caiu cerca de 50% desde agosto. Além dos vigias, recentemente foram instaladas oito câmeras no interior da loja.
Em outro estabelecimento, Antônio Batista Leal está trabalhando como vigia para ganhar R$ 480,00. Seu contrato é de 45 dias, mas existe a possibilidade de se tornar funcionário fixo. Para isso, se empenha ao máximo e não tira os olhos dos consumidores nem mesmo durante a entrevista.
“Eu já trabalhei como vigia no comércio outras vezes. É um trabalho tranqüilo, mas a gente precisa estar atento o tempo todo. Aqui na loja não ocorreu nenhum furto desde que fui contratado. Além de mim, tem mais três pessoas fazendo esse trabalho.”
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Salário
No Sindicato dos Vigilantes, a informação do diretor Benedito Pires é de que poucas lojas do comércio contratam vigilantes. “A maioria contrata vigias, porque o piso salarial de vigilante é mais caro e, para essa função, é preciso ter registro na Polícia Federal e ter feito cursos específicos da área. O piso de vigilante é de R$ 681,65”, diz Pires.
Geralmente, no comércio os vigias são contratados como auxiliares de loja, já que não existe a função específica de vigia no setor comercial. O piso salarial de auxiliar de loja é de R$ 468,00.
A diretora do Sindicato dos Empregados em Turismo e Hospitalidade - que abrange os vigias -, Elza Eugênio Pinto, diz que a procura por vigias nessa época do ano aumenta bastante, mas a entidade não possui levantamentos estatísticos. "Muitas lojas nem procuram a gente porque já têm seus próprios vigias."