A Prefeitura Municipal de Bauru anunciou ontem que, enfim, deverá inaugurar e liberar para o tráfego na próxima sexta-feira a avenida Luiz Edmundo Coube, que passou por obras de duplicação no trecho compreendido entre o Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo e o campus da Unesp. Com isso, deve chegar ao fim um transtorno de quase seis meses causado a servidores da universidade e moradores de condomínios da região, que precisavam adotar desvios para chegar ao trabalho ou a suas residências.
Bancada majoritariamente pelo governo de Estado, que arcou com mais de 80% dos recursos, a obra ainda assim será entregue sem estar totalmente concluída - ainda falta concluir a iluminação da ciclovia que margeia a toda a extensão da avenida duplicada.
Ontem, a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) anunciou a entrega da reforma do sistema de iluminação da avenida, que ganhou 45 novos postes, totalizando 69 pontos de luz. Em cada um, serão instalados braços duplos de iluminação para atender as duas pistas da via, com a substituição das antigas lâmpadas de 125 watts de vapor mercúrio (de menor luminosidade e maior consumo), por outras de 250 watts de vapor de sódio, mais potentes, de tom amarelado.
A CPFL também informou que a conclusão da instalação do sistema de iluminação na ciclovia está prevista para a próxima terça-feira, dia 22. Segundo a assessoria de imprensa da companhia energética, a nova iluminação, acionada ontem pela primeira vez automaticamente (através de sensores), já permitiria a liberação ao tráfego de veículos.
Porém, o secretário de Obras do município, José Ângelo Padovan, informou que a liberação do trânsito acontecerá apenas após a inauguração oficial da sexta-feira. Ainda ontem, a secretaria de Obras providenciava os retoques finais para a cerimônia, com pequenas obras como corte de grama, reparo em guias e limpeza do obelisco na praça Kalil Obeid, na rotatória próxima ao HE.
Segundo Padovan, o custo total da obra ficou em R$ 925.023,50, valor cerca de R$ 90 mil maior que o previsto inicialmente por conta de um aditivo ao edital, necessário para melhoria no sistema de drenagem de águas pluviais. Do valor final, o governo do Estado arcou com R$ 750 mil (81%) e a prefeitura com restante.
Para a inauguração, a prefeitura convidou o governador Geraldo Alckmin e o deputado estadual Pedro Tobias, ambos do PSDB. O secretário particular do governador, Fernando Leça, acusou o recebimento do convite, mas disse que apenas amanhã poderá confirmar a presença de Alckmin no evento.
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Novela sem fim
A execução da obra de duplicação da avenida Luiz Edmundo Coube transformou-se numa seqüência de sucessivos adiamentos e atrasos, causada principalmente em função de dificuldades do município em cumprir a sua contrapartida oferecida ao governo do Estado. A “novela” começou em maio do ano passado, quando o governador Geraldo Alckmin anunciou a liberação de recursos para a obra, mas o convênio com a prefeitura foi assinado apenas no final de 2003.
Em seguida, o município adiou o início da duplicação porque estava encontrando dificuldades para empenhar sua parte na parceria. Logo em seguida, uma tentativa de alterar o edital da concorrência pública voltou a atrasar o começo dos trabalhos.
Em maio, com a assinatura do contrato com a vencedora da licitação - a empresa H. Aidar -, a duplicação poderia ter começado, mas um novo impasse com relação a um trecho de propriedade da Sociedade para Reabilitação e Reintegração do Incapacitado (Sorri) e que abrigaria um trecho da nova avenida emperrou o processo. Após um acordo com a Sorri, a obra foi, enfim, iniciada em julho deste ano, com a interdição do tráfego de veículos entre o HE e a Unesp.
Na reta final da empreitada, em outubro, com as obras de duplicação, sinalização e urbanização já totalmente concluídas, um novo atraso aconteceu por conta da reforma do sistema de iluminação da avenida duplicada. A CPFL retardou o início das obras alegando que a prefeitura só havia depositado a menor parte (R$ 17.451,62) do valor cobrado para o serviço. A prefeitura, por sua vez, garantia ter feito também o depósito da maior parcela (R$ 50.908,20).