O Sindicato dos Bancários de Bauru e Região inicia hoje uma campanha que está sendo desenvolvida em todo País, em protesto contra as demissões dos trabalhadores do setor, os altos juros e tarifas cobrados pelos produtos e serviços bancários e pela contratação de mais funcionários. Os sindicalistas pretendem montar um abaixo-assinado para ser enviado ao governo federal, Congresso Nacional e ao Banco Central (BC).
Hoje, o primeiro ato da campanha será realizado das 10h30 às 16h, em frente à agência do Bradesco localizada na rua Ezequiel Ramos. De acordo com o diretor do sindicato Marcos Silvestre, a instituição foi escolhida como alvo do primeiro protesto em Bauru por ter sido a que mais demitiu neste ano na cidade (19 pessoas) e em nível nacional.
“A campanha deve se estender por algumas semanas. Hoje e em todos os outros dias de manifestação, estaremos disponibilizando aos clientes dos bancos um abaixo-assinado que protesta contra as demissões, as altas taxas de juros e tarifas bancárias e pedindo a contratação de mais funcionários para melhorar o atendimento à população”, diz Silvestre.
Segundo ele, somente neste ano foram demitidos em Bauru 19 funcionários do Bradesco, nove do Unibanco, nove do Banespa, cinco do Santander - que ficou apenas com uma agência na cidade - e três do Itaú. No País, ao todo foram cerca de 10 mil trabalhadores demitidos ao longo de 2004, segundo dados da Confederação Nacional dos Bancários.
“Ao enviarmos os abaixo-assinados ao governo, exigiremos medidas para conter as demissões nos bancos. É um absurdo tudo o que está acontecendo no setor, com os bancos lucrando cada vez mais e precarizando o atendimento à população em função das demissões. Os bancos também estão terceirizando muitos serviços, o que diminui ainda mais as vagas que poderiam estar sendo ocupadas por bancários”, observa o diretor do sindicato.
Outra reivindicação que a categoria está incluindo nessa campanha nacional é a de que os bancos voltem a investir nos correspondentes bancários. Silvestre cita que o fechamento de muitas unidades como essas acabou fazendo com que, em Bauru, as agências bancárias se concentrem basicamente na área central e na zona sul.
“Na periferia, a população não tem acesso aos serviços bancários em função do fechamento de muitos correspondentes. Outra questão da campanha é a convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Ela proíbe demissões sem motivo, mas desde o governo Fernando Henrique não foi assinada, e neste novo governo a situação continua. Queremos que essa convenção seja assinada, pois muitas demissões sem justa causa têm sido efetuadas”, destaca Silvestre.
Os valores das tarifas bancárias são fortemente criticados pelo sindicato. Levantamento feito pela Fundação Procon-SP no início de setembro deste ano, que consultou dez instituições financeiras, constatou aumento significativo nos preços cobrados por produtos e serviços bancários em relação a março. Em alguns casos, a diferença de valor entre os bancos pesquisados chega a 369%.