10 de julho de 2026
Bairros

Donos sugerem revisão periódica

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

Quem é dono de imóveis confirma que não é fácil nem barato mantê-los conservados. Apesar disso, garantem que o esforço vale a pena.

“O imóvel tem um tempo de vida, como qualquer coisa. O que acontece é que a gente tem de ter sempre muita atenção com vazamentos, com parte hidráulica, etc. Embora ninguém enxergue essas coisas, a gente tem que deixar em ordem porque pode provocar afundamento de terra e estragar o imóvel”, diz Valéria Maria Sant’Anna, que cuida dos imóveis de sua família.

Ela tem o hábito de acompanhar o sistema hidráulico dos imóveis, o funcionamento de torneiras, a parte elétrica, os telhados e pintura, entre outros itens. E afirma que não vale a pena economizar na manutenção dos bens.

“Não é simplesmente colocar durepox no vazamento da torneira. Aparentemente, fica em ordem mas isso pode estar escondendo um problema maior. Gasta-se mais, mas o imóvel fica preservado. O grande problema hoje é que é muito caro manter um imóvel”, expõe Valéria.

Na opinião dela, é preciso ter paciência, principalmente quando o assunto são imóveis alugados. “Tem de estar preocupado com a preservação do imóvel mesmo. Se você não estiver preocupado com isso, seu imóvel fica desvalorizado e até com problemas”, alerta.

Flávio de Carvalho tem casas alugadas e também dá dicas de como valorizar edificações. “O importante é não depreciar seu patrimônio. Os principais cuidados são com umidade, telhados, calha, portão e pintura. São os básicos para que ela não se deprecie e mantenha a aparência ideal”, explica.

Assim como Valéria, Flávio não recomenda economia na hora de fazer reparos na casa. “Se você quer manter em ordem, tem um custo e não adianta economizar. Você postergaria a decisão porque, lá na frente, vai ser necessário arrumar e o custo pode se tornar maior. O problema pode ser até agravado”, frisa.

O proprietário prima pela aparência. “Não tem muito mistério para manter uma casa. Basta você se colocar no lugar. Se você vai procurar uma para alugar e ela tem má aparência, você joga o preço lá embaixo ou vira as costas para procurar outra. Qualquer cidadão normal procura isso”, acredita.

O programador de computadores André José Sofiatti concorda. Ele está vendendo a casa em que morou durante dois anos e que também foi alugada por um período. Agora, ele decidiu vender o imóvel e, para tentar uma valorização, está fazendo reparos e melhorando a aparência dele.

“Eu cortei a grama, troquei um vidro quebrado, deixei ela bonita e agora eu vou pintar a casa inteira para que tenha uma boa aparência para quem vai comprar”, justifica.

“É essencial hoje em dia ter esse tipo de cuidado. Aparência é tudo. Pintura e infiltração interferem. Por isso, é bom prevenir”, acrescenta o programador.

Inquilinos

Na maior parte das vezes, os cuidados são dobrados quando a casa está alugada. Afinal de contas, nem todos os inquilinos são tão cuidadosos como os proprietários dos imóveis.

André, por exemplo, conta que teve uma surpresa desagradável ao visitar sua casa depois da saída do locatário. “O último inquilino ficou um ano e um mês na casa e só deu dor-de-cabeça. Levou até a fiação da casa. Fez a pintura errada e a casa está cheia de mãozinhas de crianças por todos os lados. Além disso, eu tive de trocar todas as fechaduras”, conta.

Já Valéria, que administra os imóveis da mãe e do irmão, afirma que nunca alugaria um imóvel que fosse de sua propriedade. “Eu já tive muitos problemas com inquilinos por má conservação. Quando ele sai, tem vidro quebrado e outras coisas”, diz.

Quando surge algum problema de manutenção da casa, ela costuma acompanhar os serviços de reparo, mesmo quando a responsabilidade é do inquilino (provocados por desgaste de uso). “Se o inquilino vai fazer, eu supervisiono pessoalmente. Porque o inquilino um dia sai de lá. E a casa continua. A gente tem de ser responsável pelo imóvel e pelas pessoas que estão lá”, argumenta.

O desenhista e massoterapeuta Marcelo Giaferres, que tem apartamentos alugados, sugere uma revisão geral após a saída do inquilino. “Se você não cuida disso, depois de um certo tempo o imóvel vai perdendo a qualidade e já não é como era antes” explica o massoterapeuta.

____________________

Manutenção

A boa conservação da estrutura da casa é um quesito fundamental do critério utilizado pelos inquilinos na hora de alugar um imóvel. Quando ela não está em estado considerado satisfatório, os interessados desistem de fechar negócio ou tentam um acordo para reduzir o valor do aluguel.

A jornalista Anauá Moreira conta que uma das primeiras coisas que ela observa num imóvel são as instalações elétricas. “Eu me preocupo em ver se a fiação é nova. Tenho muito medo de incêndios”, diz.

A jornalista também fica atenta à pintura, que deve estar em dia, e à possível existência de infiltrações, além da segurança. “Apesar de a gente ter cachorro, a gente olha se a casa não é muito aberta, se em uma relativa segurança, se está boa”, expõe.

Anauá já alugou casas que precisavam de reparos e conseguiu acordos com o proprietário - ela e seu marido fariam os consertos necessários na casa e, em troca, teriam um abatimento no aluguel.

“Eu faço questão de morar num lugar bonito. Afinal, é a minha casa. É o lugar para onde eu volto depois de um dia de trabalho.

É interessante também para o dono da casa porque, quando ele alugar de novo, ele vai poder subir o preço do aluguel porque o imóvel ficou valorizado”, argumenta a jornalista.

“Fica bom tanto para a gente quanto para o locatário. Eu tive dois até agora e eles aceitaram o acordo. A gente reformou a casa, fizemos mudanças e trocamos até a fiação, que os inquilinos anteriores tinham levado”, acrescenta.

Já o designer Roberto (nome fictício) teve problemas com o proprietário da casa em que mora atualmente. O imóvel tem uma série de problemas estruturais como telhado danificado e infiltrações. O inquilino tentou uma negociação para executar os serviços necessários, mas não teve êxito.

“Chove dentro da casa e os reparos do telhado ficam em R$ 5 mil. O dono da casa não quis assumir. Eu não troco porque a casa não é minha”, justifica.

O designer está prestes a mudar de casa. Na próxima locação, destaca que procurará uma casa sem problemas de infiltração, com boa circulação de ar e segurança. “Se a casa estiver para cair, eu procuro outra”, enfatiza.