10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Abertura dos arquivos do Regime Militar


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Queima de documentos na Base Aérea de Salvador e documentos encontrados na casa do ex-ministro da Educação Tarso Dutra tem ocupado espaços da mídia, principalmente por ocorrerem logo depois da Justiça determinar que o Governo Federal torne públicos os documentos, tidos como secretos, daquele período. Quem efetivamente se preocupa em resgatar a história daquele período sabe muito bem que muitos documentos daquele período da história brasileira já se transformaram em cinzas. Temos dois exemplos claros para corroborar com nossa afirmativa.

Quando do Golpe Militar de 1964, perto de três dezenas de bauruenses foram presos na Cadeia Pública local e não se localiza em nenhum arquivo – DOPS, SNI – a comprovação, o relato destas prisões, o que nos leva a crer que quando da abertura democrática, estes documentos transformaram-se em acendedores de churrasqueiras.

O outro exemplo bastante claro do sumiço de documentos importantes ocorreu quando da entrega ao Arquivo Histórico de São Paulo dos fichários do então temido DOPS. De pronto, um armário chamou a atenção dos pesquisadores, por conter a inscrição “Cadastro de Informantes”. Correram a abri-lo e tão-somente encontraram meia dúzia de nomes, sendo dois de Bauru.

Maquiaram os arquivos antes de torna-los públicos e destroem cinicamente documentos que poderiam vir a ajudar a contar a verdadeira história de nossa Pátria. Alguns vibram de satisfação com a queima destes arquivos, outros preocupados que sua verdadeira história se torne pública, tirando-os do pedestal em que se colocaram, defendem que os mesmos permaneçam secretos e enquanto isso, as dúvidas estão condenadas em se transformarem em perenes, para tristeza daqueles que se preocupam em ver restabelecida a verdade.

Antonio Pedroso Júnior