08 de julho de 2026
Geral

Beneficência mostra fachada restaurada

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 4 min

Desde o último final semana, as pessoas que passam em frente ao suntuoso prédio do Hospital da Beneficência Portuguesa, na quadra 13 da rua Rio Branco, já podem perceber que a fachada do edifício construído na década de 20 está de “cara nova”. Seguindo os critérios impostos pelo decreto de tombamento determinado pela prefeitura em julho deste ano, a administração do hospital anunciou ontem que a restauração da fachada histórica do imóvel já foi concluída e está à disposição das pessoas interessadas em reviver a arquitetura do passado.

Apesar de ser um dos poucos prédios já tombados na cidade a concluir seu projeto de restauração, o administrador do hospital Luiz Carlos Mendes Júnior disse que não haverá festas ou uma solenidade oficial de inauguração. “O hospital está se reerguendo, 2004 foi um ano de recuperação e já fizemos um grande investimento nesta obra. Por isso, estamos apenas anunciando que a reforma está aberta à visitação pública”, justifica Mendes Júnior.

O administrador lembra que o projeto de restauração da fachada também privilegiou a reformulação do sistema de iluminação, idealizado justamente para realçar as benfeitorias que garantiram ao prédio a manutenção de suas características originais. “O hospital pode se tornar um cartão postal da cidade. Ver um patrimônio histórico restaurado representa um grande presente de Natal e Ano Novo para Bauru”, completa.

Além da restauração da fachada, o diretor do hospital, médico Raul Gonçalves Paula, ressalta que as obras que estão sendo apresentadas à população também garantiram reformas importantes na parte interna do imóvel, como a substituição dos antigos forros, conhecidos como “stuck”, além da remodelação de três centros cirúrgicos e do setor de raio X.

Paula adiantou ainda que dentro de aproximadamente 15 dias, a administração do hospital deverá anunciar a conclusão das reformas no setor de Pronto-Atendimento (PA), o que permitirá a reativação da assistência emergencial na área de pediatria. “Em janeiro, o atendimento infantil já deverá estar em funcionamento”, estima o médico.

O projeto de restauração do hospital da Beneficência Portuguesa vem sendo elaborado desde maio pelas arquitetas Ludmilla Sandim Tidei de Lima e Mônica Borgo com base em orientações do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepac) e no estudo de documentos e fotos históricas do imóvel. Construído com características lusitanas, como o telhado inclinado que fica sobre a varanda em frente ao estacionamento do hospital, o prédio teve o projeto inicial assinado pelo arquiteto português Ricardo Severo.

Segundo Mendes Júnior, o custo das obras está calculado em cerca de R$ 200 mil, investimento que foi amparado pelos benefícios de isenção fiscal garantidos pela Lei Rouanet. O diretor Raul Gonçalves Paula informa que o montante foi viabilizado junto ao grupo de médicos que atualmente administra o hospital.

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Acervo histórico

A cidade de Bauru já tem 27 imóveis tombados oficialmente, por decreto municipal, e mais de dez cujos processos já foram finalizados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac) e estão aguardando a publicação no Diário Oficial. Há outros processos, como o da residência da família Rasi, que ainda estão em estudo.

Além do Hospital da Beneficência Portuguesa, já estão entre os prédios tombados imóveis como a Igreja Santa Terezinha, Igreja Presbiteriana, capela da antiga Santa Casa de Misericórdia, Estação Ferroviária, Palácio das Cerejeiras, Igreja Tenrikyo, Automóvel Clube e Hotel Cariani

Para ser tombado, um imóvel precisa apresentar importância histórica, cultural ou arquitetônica. O processo de tombamento do imóvel tem início a partir da apresentação de um pedido de estudo ao Codepac. A solicitação pode ser feita por conselheiros do órgão, pelo prefeito ou por qualquer cidadão.

Caso o pedido seja aprovado, um perito é nomeado para realizar o estudo. São anexadas ao processo imagens novas e antigas do prédio e outras informações sobre o imóvel. Após a elaboração do parecer do perito, o conselho se reúne para votar o tombamento da edificação.

Quando a decisão é favorável, o processo é encaminhado para as secretarias de Planejamento e dos Negócios Jurídicos. O último passo é a publicação do decreto de tombamento no Diário Oficial do Município. A partir da abertura do processo para tombamento, o imóvel não pode ser mutilado, demolido ou reformado sem a autorização do Codepac, sob pena de multa de 1% a 20% sobre o valor do bem tombado.

Da Redação