Botucatu - Moradores do distrito de Rubião Júnior, em Botucatu (100 quilômetros a sudeste de Bauru), destruíram anteontem por completo a residência de Isael Pereira da Silva, 28 anos, acusado de ter estuprado e assassinado a garota Estefani Guedes dos Santos, 10 anos, na madrugada do sábado passado.
Em protesto, os moradores já haviam incendiado a residência no sábado, logo após a prisão do acusado. Embora o laudo ainda não tenha sido divulgado por escrito, verbalmente o médico legista, responsável pelo exame, confirmou o estupro à delegada Simone Alves Firmino Sampaio, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Botucatu.
Ainda de acordo com o médico, houve um dilaceramento entre o ânus e a vagina da vítima, provavelmente provocado pelo estupro. Segundo a delegada, a informação foi passada por telefone pelo próprio médico. O laudo, por escrito, só deverá ficar pronto na próxima semana.
A delegada acredita que o acusado será transferido para um Centro de Detenção Provisória (CDP) ainda esta semana. Até ontem, ele continuava detido na Cadeia Pública de Conchas, em uma cela separada especialmente para abrigar acusados de estupro. Segundo a delegada, Silva está acompanhado por outros 14 supostos estupradores.
Antes de ser encaminhado para Conchas, três cadeias da região rejeitaram a presença de Silva. Em Botucatu, os detentos ameaçaram iniciar uma rebelião caso o acusado fosse levado para lá. Eles teriam avisado também que seriam obrigados a usar o “código de ética” dos detentos contra Silva.
O tal “código” não aceita estupradores dentro do sistema prisional e prevê “penas rigorosas” aos acusados, como violência sexual e até mesmo a morte.
Foi tentada, então, uma transferência para São Manuel, mas igualmente os presos protestaram e, por questão de segurança, a transferência foi descartada. Antes de Conchas, a polícia tentou ainda levar o acusado para a cadeia de Porangaba, também sem sucesso.
Em entrevista a uma emissora de rádio de Botucatu, Silva teria declarado ter consciência do risco que os acusados de estupro correm dentro do sistema prisional. Mesmo assim, aceitava “pagar pelo crime”.
Quando foi preso, Silva estava escondido debaixo da cama, segundo a polícia. Ele foi denunciado pela avó da vítima, que estava na casa com a garota quando o acusado apareceu. Silva procurava pela mãe de Estefani, com quem teria um relacionamento. Como ela não estava na casa, ele foi embora levando a garota.
Quando amanheceu o dia, Estefani foi encontrada morta, com uma perfuração no peito, e seminua em um matagal, no Jardim América, distante cerca de 200 metros da casa onde morava.
Na casa de Silva, a polícia encontrou uma faca e roupas sujas de sangue, escondidas atrás de uma máquina de lavar roupas. Após a detenção, moradores tentaram linchar o acusado, mas foram contidos pela polícia. Em seguida, eles colocaram fogo na residência. As chamas só foram controladas com a chegada do Corpo de Bombeiros.