10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

POR QUE NÃO ENTREGO A MINHA ARMA

José de Assis Lima Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Eu tenho setenta e dois anos de idade, pouco estudo, e resido no Sítio São Sebastião, localizado na zona rural de Piratininga, distante mais ou menos quinze quilômetros da cidade, a estrada é de terra, mas mesmo distante eu não vivo alheio às coisas que acontecem no nosso país, acompanho as notícias e tenho meu ponto de vista sobre a campanha do desarmamento.

Na minha casa eu guardo uma cartucheira devidamente registrada e recadastrada, acredito que com ela eu possa sim defender minha propriedade e minha família de um novo ataque de marginais. Se entregar minha arma e precisar de um atendimento rápido, por exemplo, quando um outro malfeitor estiver rondando minha casa, será que a polícia vai chegar em tempo hábil de evitar o pior, os defensores do desarmamento vão estar aqui para me defender?

Eu sei que todas as vezes que precisei fui prontamente atendido pela Polícia Militar da cidade que, apesar da estrada ruim, nunca se negou a me atender, e a Polícia Civil nunca me faltou com a atenção, e eu elogio o atuante trabalho investigativo que faz em nossa cidade, mesmo meu sítio sendo tão longe do centro já fui atendido pelos investigadores, assim aproveito para deixar um obrigado a todos os policiais de nossa cidade.

Acredito que minha arma vai sim me servir de defesa, como já serviu, já que num lugar tão ermo quanto o local onde resido, tenho o direito de defender minha família, já que o Estado finge me dar a segurança que mereço, mas diante da realidade, eu tenho o direito de me defender.

Eu conto com o apoio de toda a minha família, já discutimos muito o assunto do desarmamento, e minha mulher era favorável a eu entregar meu único meio de defender as valiosas coisas que tenho na vida, ou seja, minha família e um pedaço de terra onde planto o nosso sustento, mas quando meus cachorros passaram a latir, isso altas horas da noite, percebi que alguém rondava nossa casa, aí não foram os deputados e senadores que me defenderam, foi um tiro para o alto que fez com que o vulto saísse correndo, e minha esposa mudasse de idéia. Hoje, continuo achando que não devo entregar a minha arma em troca de uma esmola no valor de cem reais.

PS - Obrigado à minha neta por transformar em letras o meu desabafo. (José de Assis Lima Silva - RG 356.441)