08 de julho de 2026
Geral

Samu põe em operação 4 ambulâncias

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 5 min

A partir de hoje o número de viaturas disponíveis para o atendimento de urgência prestado às vítimas de acidentes ou às pessoas com quadro clínico crítico passará de 7 para onze. O aumento de 57% é fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde e a administração municipal, que ontem entregaram quatro ambulâncias novas, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Três delas, utilizadas para o suporte básico, terão como base as administrações regionais do Jardim Bela Vista, do Mary Dota e da Vila Ipiranga.

A quarta ficará sediada provisoriamente no Pronto-Socorro Central, onde a ambulância UTI permanecerá de plantão, assim como as outras sete viaturas da Secretaria Municipal da Saúde (leia mais nesta página).

“Com outras duas viaturas (do Samu) fecharíamos o município de Bauru”, diz o secretário municipal de Saúde, João Sérgio Carneiro. O reforço visa a redução no número de mortes, do tempo de internação e das seqüelas decorrentes da falta de socorro precoce.

Nas cidades em que o sistema foi implantado, caiu em 33% a incidência de mortes entre as pessoas atendidas pelas viaturas. A informação é do diretor do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde e responsável pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), Ademar Arthur Chioro dos Reis.

Durante a solenidade de entrega das viaturas, ele representou o ministro da Saúde, Humberto Costa, afastado de suas funções por ter se submetido a uma cirurgia de desobstrução de artérias coronárias no início do deste mês. “Os primeiros estudos (iniciados em abril deste ano) mostram também uma diminuição no tempo de espera (do atendimento), que cai de 18 minutos para menos de 10 minutos (em municípios com porte semelhante ao de Bauru)”, acrescenta Chioro.

Caminho

As vítimas serão atendidas em três unidades hospitalares em Bauru: Hospital de Base (cirurgia geral, traumas, ortopedia, neurocirurgia), Hospital Estadual Arnaldo Prado Curvêllo (queimados, cirurgia cardíaca, clínica médica) e Maternidade Santa Izabel (gestantes). O destino delas será definido por um médico regulador, que avaliará a gravidade da ocorrência.

Os casos mais sérios serão atendidos pela ambulância UTI, que contará com um médico. “Em trabalhos mais demorados (como a retirada de vítimas de ferragens) fazíamos contato com o PS e solicitávamos um médico (de maneira informal)”, explica o capitão da PM do Corpo de Bombeiros, Geraldo Aparecido Delmonte, para quem o deslocamento das viaturas de resgate para atender casos clínicos deve diminuir.

“Pelo menos 30% (das chamadas são de casos clínicos). A expectativa é que o resgate fique mais restrito às ocorrências para as quais ele foi destinado”, conclui Delmonte.

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Solenidade é marcada por cutucões

A solenidade de inauguração do Samu em Bauru foi marcada por “cutucões” entre os representantes dos poderes municipal, estadual e federal. O primeiro foi desferido pelo secretário municipal de Saúde, João Sérgio Carneiro, que lamentou durante seu discurso a ausência do Estado na parceria que viabilizou o serviço no município.

O convênio firmado prevê um repasse para a administração municipal de R$ 82,5 milhões por parte do Ministério da Saúde. O valor representa a metade do custeio. O restante será bancado pela prefeitura, que vai tentar sensibilizar o governo estadual a participar da parceria no próximo ano.

A participação do governo do Estado também foi cobrada pelo o diretor do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde e responsável pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), Ademar Arthur Chioro dos Reis, para quem a iniciativa poderia ajudar a estender o serviço para cidades próximas.

Chioro também destacou como importante a implantação por parte do município da gestão plena de saúde. Ou seja, para ele, a administração municipal deve assumir a responsabilidade por toda gestão de saúde, o que inclui tanto a atenção básica como os serviços de maior complexidade.

O tema também foi destacado pelo diretor da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani, que aproveitou a ocasião para cobrar resolutividade no atendimento básico prestado pelo município.

Em contrapartida, o prefeito Nilson Costa destacou vários avanços conquistados pela administração municipal na Saúde e afirmou não ter implantado a gestão plena por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que o impede de fazer novas contratações. “Os gastos da saúde superam os 25% do orçamento municipal”, garantiu o chefe do Executivo durante o discurso. (LLF)

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Localização da base central está indefinida

O endereço definitivo da base central do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ainda está sob análise da administração municipal, que espera resolver a questão ainda nesta semana. Dois terrenos são candidatos à sede e dependem da permuta de uma área de propriedade da Santa Casa de Misericórdia, localizada ao lado do Pronto-Socorro Central (PSC).

Além deste terreno, o acordo entre as partes também depende da avaliação de outro lote situado nas imediações do Hospital Estadual Arnaldo Prado Curvêllo. Nos dois casos, o projeto prevê a instalação de um heliporto para operação de salvamento aéreo, confirma o secretário municipal de Saúde, João Sérgio Carneiro. Ele não nega a expectativa de ver a obra pronta até abril do próximo ano.

O Ministério da Saúde já liberou R$ 100 mil para início da construção, estimada em mais de R$ 150 mil pela secretaria municipal de Saúde. Também caberá à instância federal equipar a central, que contará com um sistema informatizado de geoprocessamento.

Graças a ele, o poder público terá como mapear as regiões com maior incidência de acidentes, identificar doadores potenciais de órgãos para transplantes e verificar eventuais aumentos de doenças infecciosas, ressalta o diretor do Departamento de Atenção Especializada do Ministério da Saúde e responsável pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), Ademar Arthur Chioro dos Reis.

Ele se reuniu de forma rápida e informal com a equipe que integrará o Samu para anunciar um prêmio de reconhecimento (uma viagem internacional) para o grupo cujo desempenho for melhor. Em Bauru, 29 médicos - sendo dois pediatras -, 32 auxiliares de enfermagem, oito enfermeiros e 24 motoristas integram a equipe. Eles foram qualificados com 80 horas de cursos.

Passaram pela mesma formação os profissionais do Samu de Jaú, que vai operar com duas ambulâncias também entregues ontem. Simultaneamente, o serviço ainda foi implantado nas cidades de Juiz de Fora e Sete Lagoas, em Minas Gerais, e Maringá, no interior do Paraná. Por ser o principal componente da Política Nacional de Atenção às Urgências, o governo federal investiu R$ 120 milhões para criar o Samu no País. (LLF)