Novas descobertas do fisiologista Bruce Tufts, da Queen’s University, estão revolucionando uma das indústrias recreativas que mais crescem nos Estados Unidos: os torneios de pesca esportiva.
Como um subproduto desses estudos, os líderes da indústria iniciaram mudanças radicais em seus procedimentos de modo que mais peixes sobrevivam - e em melhores condições fisiológicas - depois dos torneio.
Nas últimas décadas os torneios de pesca esportiva se movimentaram na direção da soltura dos peixes, vivos e sem ferimentos, ao final de cada evento. Porém até o momento existem poucas evidências científicas para a construção dos melhores procedimentos para “soltar com vida”. Com o apoio financeiro da Shimano do Canadá e do Natural Sciences and Engineering Research Council (NSERC), o fisiologista Tufts e a sua equipe da Universidade de Queen descobriram novas formas para melhorar os procedimentos de manejo dos peixes em torneios, que podem ser consideradas como grandes avanços nessa área.
“Existe uma consciência crescente nos manejos de pescarias sobre o fato de que as pessoas podem usufruir do esporte de uma forma ecologicamente responsável”, afirma Tufts para o site Science Daily. “No nosso laboratório na universidade estamos trabalhando com importantes espécies da água doce, tais como bass e walleye, a fim de determinar o impacto fisiológico do pesque e solte e produzir novas maneiras de assegurar a sobrevivência a um número máximo de peixes”, reforça.
A pesquisa de Tufts sobre “Mudanças Fisiológicas do Bass Boca-Grande geradas pelos Torneios de Pesca Esportiva do Tipo Soltar-Viver no Sudeste de Ontário” foi publicada no North American Journal of Fisheries Management (Jornal Norte-Americano de Gerenciamento de Pescarias).
Os experimentos conduzidos pela equipe de investigação do pesquisador Tufts verificaram que o processo de pesagem ao final desses evento é um dos momentos mais críticos para os peixes fisgados pelos pescadores de torneios. Durante o tradicional procedimento de pesagem, os perigos potenciais para os peixes surgem do seu confinamento em sacos cheios de água enquanto esperam para serem pesados e de sua exposição ao ar durante a pesagem em si.
Em temperaturas altas, a concentração de oxigênio no saco de contenção decresce rapidamente enquanto o grau de consumo de oxigênio pelo peixe (o seu índice de metabolismo) aumenta. Quando os peixes são removidos da água, as estruturas das suas guelras que troca gases - as lamelas - também entram em colapso, o que inibe a ingestão de oxigênio.
Como resultado da pesquisa do fisiologista Tufts, a Shimano do Canadá agora incorporou as seguintes modificações nos seus procedimentos de soltar-viver no Canadian Fishing Tour, um dos maiores torneios do circuito canadense.
Os peixes são transferidos imediatamente dos sacos de contenção a uma balde de pesagem, submerso em água bem aerada de modo a assegurar uma oxigenação apropriada enquanto esperam pela pesagem.
Níveis de oxigênio e temperatura da água em todos os tanques de captura e em todos os barcos do tipo soltar-viver sã continuamente monitorados.
Os peixes são agora pesados enquanto submersos em água com oxigênio, sem exposição ao ar.
A pesquisa da Universidade de Queen mostra que os bass e walleye mantidos na água durante o processo de pesagem mantêm estoques de energia 150% a 65% maiores, respectivamente, do que os peixes pesados ao ar livre. “Estes resultados indicam que os peixes mantidos na água durante o processo de pesagem estão numa condição fisiológica muito melhor e devem ser capazes de recuperar as suas atividades físicas normais muito mais rapidamente depois que forem soltos”, afirma para o site, o pesquisador Tufts.
Ele também informa que os resultados obtidos através da pesagem do peixe na água apresentam maior acuidade mesmo porque não existem erro associado com os pulos do mesmo em cima da balança.
“É um fator de entusiasmo ver um líder comercial nesta área procurando por informações científicas sólidas para orientar os seus procedimentos de soltura dos peixes na sua melhor condição possível”, diz Tufts. “Na qualidade de pesquisadores, temos a esperança de que os benefícios desta parceria se disseminem por toda a indústria de pesca da América do Norte”, finaliza o Tufts. E, por que não?, em todo o mundo.
Fonte: pescarte.com.br