A partir de janeiro, a vereadora reeleita Majô Jandreice (PCdoB) será a única representante do sexo feminino na Câmara Municipal de Bauru. A situação preocupa a parlamentar comunista, que pretende passar os próximos quatro anos trabalhando para ajudar a mudar esse quadro.
“Nós não temos conseguido aumentar o número de vereadoras eleitas, apesar de várias mulheres terem sido candidatas. Estou me dispondo a cuidar mais desse assunto, pois não me dediquei de forma muito efetiva aos movimentos femininos durante a atual legislatura. Penso que será preciso realizar ações que levem a uma maior participação política por parte das mulheres”, analisa.
A vereadora Catarina Carvalho (sem partido) também integra o Poder Legislativo atualmente, mas não conseguiu se reeleger. Majô destaca que a tímida presença do sexo feminino na política não é um fenômeno exclusivo de Bauru. “Se observarmos o cenário nacional dos últimos anos, tivemos um salto significativo apenas em 1996, quando foi feita uma ampla campanha de incentivo à participação das mulheres. Desde então, a situação vem se mantendo estável”, comenta.
Parlamentar desde 1993, ela avalia que o Legislativo passou por transformações profundas durante os últimos 12 anos. “Hoje, a preocupação com a imagem é maior. Antes, essa não era uma questão tão acompanhada. A introdução da TV Câmara contribuiu para essa mudança, porque o vereador passou a prestar contas de seu trabalho a todo o momento”, diz.
Para Majô, que recebeu 1.910 votos em outubro, os processos de cassação de vereadores e do prefeito Nilson Costa (sem partido) nos últimos quatro anos transformaram o seu mandato atual no mais difícil dos três que já exerceu.
“Ao mesmo tempo em que nós tínhamos reclamos da comunidade, também precisamos nos dedicar aos assuntos internos. As comissões de investigação demandaram muito tempo de cada vereador. Nem sempre os posicionamentos foram muito fáceis, porque você convive com as pessoas e, por outro lado, quer que as coisas sejam resolvidas de forma transparente”, argumenta.
Ela afirma, no entanto, que esse processo também teve aspectos positivos. “No momento em que a Câmara precisou se autofiscalizar, ela executou essa tarefa. Não houve corporativismo. Mesmo com todas as dificuldades, nós levamos para dentro do Legislativo todas as questões do município e não nos furtamos a debatê-las.”, justifica.
A comunista avalia que o prefeito eleito Tuga Angerami (PDT) conseguirá manter um bom relacionamento com os vereadores. “Ele é uma pessoa tranqüila e que já foi parlamentar. A própria cidade espera que um novo momento seja vivenciado. O desafio será de todos que estão empenhados para que consigamos dar um salto de qualidade. Ao Legislativo, caberá fiscalizar e elaborar leis”, projeta.
Majô conta que começou a se interessar por política no final dos anos 70, quando se formou assistente social. “Ajudei a fundar o sindicato da categoria no Estado de São Paulo e a filiação partidária foi uma conseqüência. Ingressei no PCdoB na época das Diretas Já e passei a organizar a legenda em Bauru. Desde então, não parei mais”, recorda.