10 de julho de 2026
Economia & Negócios

90 trabalhadores param por salários

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de 90 trabalhadores estavam em greve até o início da noite de ontem em Bauru devido ao atraso no pagamento de salários, 13.º e entrega de cestas básicas. Desse total, 50 são funcionários da empresa Coneplan, que presta serviços para a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e 38, da Seripav, prestadora de serviços da Novoeste. Os funcionários das duas empresas iniciaram a paralisação anteontem.

Até o fechamento desta edição, as prestadoras de serviço apenas haviam feito promessas de pagamento. Entretanto, o dinheiro não havia entrado na conta dos trabalhadores, que já se mostravam apreensivos com a possibilidade de passar o Natal “no vermelho”.

Os funcionários da Seripav, que trabalham na manutenção da linha férrea, ameaçaram interromper a circulação de trens no trecho de Bauru a partir de hoje, caso a situação não fosse regularizada. Segundo o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Roque Ferreira, outros 18 funcionários da empresa em Araçatuba permaneceram ontem de braços cruzados pelo mesmo motivo.

Em Bauru, também os empregados da Coneplan, conforme divulgou o JC, paralisaram as atividades. Eles prestam serviço de manutenção e conservação da rede elétrica e são responsáveis pelo corte e religamento de energia dos consumidores. Segundo dados da CPFL, a Coneplan realiza cerca de 3 mil atividades por mês, uma média de 120 intervenções (entre corte e religamento de energia, teste de medidor etc) por dia.

A CPFL garante que o trabalho não será prejudicado e afirma que funcionários da companhia foram deslocados para atuar nesses serviços. A assessoria de imprensa da empresa também garantiu que ontem já havia depositado o dinheiro para o pagamento dos funcionários na conta da Coneplan e que na manhã de hoje a situação estaria regularizada.

Segundo a assessoria, a CPFL postergou o repasse do dinheiro porque a empresa terceirizada foi multada por não ter depositado o FGTS e INSS dos funcionários.

Também a assessoria de imprensa da Novoeste afirmou que a empresa havia repassado anteontem cerca de R$ 192 mil na conta da Seripav. Em negociação com o sindicato da categoria, a prestadora de serviços se comprometeu a efetuar o pagamento ontem à noite. Até o fechamento desta edição, a situação não havia sido regularizada.

A reportagem não conseguiu localizar ontem, por telefone, os responsáveis pelas empresas terceirizadas para comentar o assunto.

Enquanto o impasse não se resolvia ontem, os trabalhadores da Seripav demonstravam insegurança quanto à possibilidade de passarem o Natal sem o pagamento do 13.º salário e do vale-alimentação.

Segundo o coordenador do sindicato dos ferroviários, além dos funcionários contratados, também os trabalhadores que foram demitidos pela empresa estavam enfrentando problemas. “Tem uma questão mais grave referente ao pagamento da rescisão de contrato. Eles pagaram vários trabalhadores com cheque, o que é proibido, e o cheque estava sem fundo”, afirma Roque Ferreira, destacando que o problema atingiu cinco trabalhadores.

Um deles é Júlio César Francisco de Souza, 27 anos, que foi desligado recentemente da empresa. “Nós dependemos desse dinheiro e esperamos que a situação seja regularizada”, afirmou.

Assim como Souza, os demais funcionários mostravam-se revoltados com a falta de pagamento, às vésperas do Natal. “Nós estamos contando com o dinheiro para o Natal e o Ano Novo. Nós temos família para sustentar”, protesta um dos funcionários, que preferiu não ser identificado por medo de retaliação.

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Cesta básica

Também para os funcionários da Coneplan a situação era dramática ontem, segundo o vice-presidente do Sindicato dos Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia), Jesus Garcia. Segundo ele, o sindicato estava se mobilizando para providenciar alimentos e montar cestas básicas para distribuir aos funcionários. “Os empregados não podem passar o Natal sem ter o que comer”, diz Garcia, que estava na expectativa de que o pagamento dos funcionários fosse efetuado hoje.

No próximo dia 29, segundo ele, representantes da Coneplan, CPFL e Sinergia devem se reunir no Ministério do Trabalho (MT) para debater o atraso no pagamento.