09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Terceirizados da CPFL encerram greve

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 4 min

Os 50 funcionários da Coneplan, empresa que presta serviços para a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), decidiram ontem em assembléia suspender a greve iniciada na última quarta-feira pelo atraso no pagamento de parte dos salários (vale), do 13.º e na entrega das duas últimas cestas básicas. Reunidos ontem pela manhã em frente aos portões da empresa, na Vila Industrial (zona oeste), os trabalhadores tomaram a decisão após verificar, em diversas agências bancárias da cidade, o crédito dos valores que estavam em atraso.

Com a decisão, a partir de segunda-feira os trabalhadores da Coneplan devem retomar os serviços de manutenção e conservação da rede elétrica, que incluem corte e religamento da energia dos consumidores, teste de medidor, entre outros. Segundo a CPFL, a empresa terceirizada realiza cerca de 3 mil procedimentos por mês, uma média de 120 intervenções diárias, volume de trabalho que não teria sido prejudicado porque funcionários da companhia foram deslocados para atuar no lugar dos trabalhadores em greve.

O Sindicato dos Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia), que comandou as negociações com a empresa e com a própria CPFL, promoveu ontem, após a assembléia, a distribuição de uma cesta básica para cada um dos trabalhadores que permaneciam em greve. A ação foi realizada também em outras cidades da região (Jaú, Marília e Botucatu) que também são atendidas pela Coneplan - no total, 151 trabalhadores que estavam paralisados receberam as cestas e o pagamento dos atrasados.

O vice-presidente do Sinergia, Jesus Garcia, destaca que a cesta básica foi adquirida com verba do fundo de greve mantido pela entidade. “Precisamos lembrar que isso (distribuição de cesta básica) não é um presente do sindicato. Essa verba pertence aos próprios trabalhadores e fica reservada neste fundo justamente para possibilitar que a categoria tenha condições de enfrentar situações extremas, como uma greve, por exemplo”, destaca o sindicalista.

Ainda segundo o dirigente do Sinergia, a assembléia dos trabalhadores determinou apenas uma ressalva à retomada dos trabalhos. Ontem pela manhã, três funcionários da Coneplan ainda não haviam, recebido o crédito dos valores devidos pela empresa em suas contas correntes. “Acreditamos que é apenas um atraso provocado pelo sistema dos bancos, mas se até segunda-feira estes casos não estiverem solucionados, a decisão será pela manutenção da greve”, adverte Garcia.

A assessoria de imprensa da CPFL lembra que o repasse desta verba (vale e 13.º) não estava atrasado, mas apenas suspenso porque a Coneplan não apresentou os comprovantes de pagamentos de encargos sociais devidos ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e à Previdência Social. Segundo a assessoria de imprensa, mesmo sem essas comprovações por parte da empresa terceirizada, a CPFL decidiu fazer o repasse da verba por entender que os trabalhadores seriam demasiadamente sacrificados em uma época do ano especial, como o Natal.

Apesar de aparentemente solucionada, a situação dos trabalhadores da Coneplan ainda permanecerá na pauta do Sinergia, que promete acionar nesta segunda-feira o Ministério Público do Trabalho (MPT) para debater o futuro da atuação da empresa na cidade. Segundo Jesus Garcia, até mesmo a CPFL poderá ser acionada, já que a companhia é solidária nestas questões a partir do momento em que terceiriza seus serviços.

Na última quarta-feira, o sindicalista informou ao JC que também já pediu à Delegacia Regional do Trabalho (DRT), órgão ligado ao Ministério do Trabalho, uma fiscalização na Coneplan. “Além da falta de condições de trabalho, a empresa ainda não pagou o FGTS referente ao período em que foi contratada pela CPFL”, disse Garcia. A Coneplan não quis comentar o caso.

____________________

Só metade na Novoeste

Os 60 trabalhadores (38 de Bauru e 22 de Araçatuba) da empresa Seripav, prestadora de serviços da Novoeste, que também entraram em greve nesta semana por atraso no pagamento do 13.º salário e do vale-alimentação, acordaram ontem com apenas metade dos valores do 13.º em suas contas correntes. O crédito teria sido feito às 22h de anteontem, segundo informação do coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, Roque Ferreira.

De acordo com o sindicalista, o crédito de parte do valor devido permitiu apenas a suspensão da retenção de trens que estava programada para acontecer em Araçatuba. Ferreira ressalta que os trabalhadores permanecerão em greve até que seja efetuado o pagamento da outra metade do 13.º salário, assim como o vale-alimentação, no valor de R$ 209,00. “A proposta da empresa é complementar o valor na próxima quarta-feira. Até lá, permaneceremos em estado de greve”, avisa.