08 de julho de 2026
Geral

Fim de ano gera 'corrida' às oficinas

Marcelo Ferrazoli (colaborou Sérgio Pais)
| Tempo de leitura: 4 min

Tradicionalmente, o final do ano é considerado o “filé mignon” para as mecânicas. Como milhares de brasileiros “caem” nas estradas para passar o Natal e o Ano Novo com a família e os amigos e ninguém quer ver seu passeio transformado em um verdadeiro “inferno”, a saída lógica é “internar” os veículos nas oficinas para dar aquele “trato” neles. Desta forma, os proprietários desses estabelecimentos não têm do que reclamar, pois o volume - de automóveis e serviços - chega a aumentar até 50%.

É o caso de um centro automotivo bauruense, que nas últimas semanas, conforme o gerente Paulo Henrique Cozin, registrou elevação de 40% no movimento. “É um aumento esperado, pois, geralmente, nesse período compreendido de dezembro a janeiro o pessoal costuma aproveitar as festas tradicionais de fim de ano, as férias escolares e o Carnaval para viajar mesmo”, salienta.

E, para dar conta de tanto trabalho, a empresa já adotou táticas especiais. “Normalmente, atendemos até às 18h, mas há dias que chegamos a ficar até às 21h. Além disso, nessa época os funcionários já são avisados: ninguém tira férias”, informa Cozin. E acrescenta, citando outro exemplo da demanda aquecida: “Já estamos com quase todos os horários de execução de alinhamento e balanceamento de rodas preenchidos até a próxima terça-feira.”

Já Fernando César Guedes, um dos proprietários de outro centro automotivo local, também destaca que o movimento na oficina cresceu cerca de 30% até o Natal. “Esse índice só não foi mais expressivo em relação aos outros anos devido ao fato da data ter caído em um sábado e domingo”, considera.

Entretanto, conforme Guedes, a tendência é que, na próxima semana, a procura se intensifique e eleve o movimento de veículos e serviços para até 50%. “Isso é causado não só pelo fato das pessoas não executarem a manutenção preventiva corretamente mas também porque muitas deixam para realizar nessa época os serviços mecânicos que protelaram durante o ano”, acredita.

Djalma Francisco Cândido, 38 anos, proprietário de uma oficina especializada em utilitários, reconhece apenas um pequeno aumento de movimento nesta época do ano, mas ressalta que muitas pessoas que procuram seu estabelecimento o fazem apenas para solicitar “coisas pequenas”. “Os motoristas geralmente vão empurrando com a barriga e esperam o carro quebrar para fazer serviços que seriam evitados com uma revisão preventiva”, diz.

E é justamente a manutenção preventiva um dos principais pontos defendidos pelos proprietários e mecânicos de oficinas. Segundo Cozin, ela é a melhor maneira de evitar grandes gastos com as revisões no final do ano. “Quem não a pratica como deveria ao longo do ano certamente gastará muito mais para reparar seu automóvel, pois terá diversos itens para checar e a probabilidade de encontrar problemas é maior. Infelizmente, muitos só adotam a manutenção corretiva, que é aquela feita após o dano aparecer no carro”, enfatiza.

Cândido lembra que este tipo de atitude geralmente representa prejuízos para os donos de automóveis. Segundo ele, se alguns dos itens geralmente verificados num procedimento de revisão - freio, suspensão, correia dentada e amortecedores, por exemplo - apresentar problemas, o conserto pode ficar em torno de R$ 600,00, no caso de um carro popular. Este valor, complementa ele, pode subir para R$ 1.200,00 se o veículo for um sedan de luxo.

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Ajuda das águas

E não é apenas a necessidade da revisão pré-viagens e da chegada do 13º salário que aquecem o setor das oficinas nesta época do ano. O início da temporada das chuvas de verão, com temporais seguidos de enchentes, também têm levado muitos donos de veículos a procurar os mecânicos.

O proprietário de uma oficina especializada em mecânica geral no Jardim Santana, Antônio Josivan Arraes, 30 anos, já detectou o crescimento de clientes que aparecem com seus carros “apagados” após ficarem sob as águas das enxurradas. Anteontem mesmo, Arraes acabava de liberar um Escort que, mesmo estando estacionado, acabou avariado em função da forte enxurrada que levou água para compartimentos importantes do motor, como os compartimentos de óleo do motor e do câmbio.

Ele adverte que, nestas situações, o motorista deve agir com consciência e, jamais, tentar funcionar o motor. “Mesmo se esse cuidado for tomado, o dono do carro terá de desembolsar um valor que pode chegar a R$ 1.000,00, apenas para o reparo da parte mecânica”, diz Arraes, lembrando que gastos extras podem surgir para recuperar a tapeçaria e o interior do veículo.

Além disso, importantes - e caros - componentes eletrônicos, como a central que comanda a injeção de combustível, tabmém podem ser afetados caso o motorista tente ligar o veículo. “O melhor é acionar o socorro e levar o carro de guincho para a oficina. Se o motorista tentar ligar o motor, o conserto de um dano eletrônico pode ficar entre R$ 2 mil e R$ 3 mil”, adverte o mecânico.