Se as férias representam liberdade e descanso para crianças e jovens estudantes, para os pais, nem sempre elas são um período de relaxamento.
É que, enquanto seus filhos terminam o ano letivo, muitos pais não têm a oportunidade de descansar ao lado da prole e têm de cumprir a rotina diária de trabalho normalmente.
É o caso de Sandra Regina Guinda, moradora da Vila Dutra. Ela trabalha na parte da manhã e tem uma filha de quatro anos que vai à escola também no período da manhã. Durante as férias, a menina tem de ficar sob os cuidados da avó enquanto a mãe trabalha.
“Atrapalha um pouco a minha mãe porque às vezes ela precisa sair e não tem como. Ela tem de levar a criança ou tem de esperar eu chegar. Ou, ainda, se tiver mais alguém em casa, fica com ela. Um dia desses, foi o avô”, explica.
De acordo com Sandra, a prática é comum no bairro durante os meses de dezembro e janeiro. “Tem mães que trabalham e, quando as crianças não estão na escola, elas não têm onde as deixar. Às vezes, elas ficam com a avó ou a tia enquanto a mãe está trabalhando. Ou ficam com alguma conhecida”, diz.
Moradora do Jardim Ivone, Eva Ribeiro, embora desempregada, conta que as férias dos quatro filhos atrapalham sua rotina diária. “Muda bastante as tarefas do dia-a-dia. Às vezes, eu tenho de ir ao médico com uma filha e minha mãe, que é de idade, tem de cuidar dos outros três e ficar correndo atrás deles”, enfatiza.
No Jardim Solange, as mães que não trabalham já estão acostumadas a zelar pela segurança de todas as crianças do bairro, sejam seus filhos ou filhos de vizinhas que têm emprego.
“Nós, como mães, ficamos sempre atentas para que nada de mal aconteça a cada um deles. Aqui, a maioria das mães trabalha e nós temos como lema nosso olhar por eles. É como se a comunidade fosse responsável pela meninada”, afirma Diva Dias, presidente da associação de moradores do bairro.
Ela revela que a situação é complicada no bairro em período de férias porque a maioria das famílias não tem condições de colocar seus filhos em uma creche particular ou contratar alguém para cuidar deles.
“Aqui é meio difícil. Para os meninos que estão fora da idade de creche, deveria ser criado um PET (Programa de Encontro da Turma, municipal) aqui perto do Jardim Solange. Além disso, temos aqui perto a construção de uma creche que está abandonada, mas que viria a atender às necessidades do bairro. A esperança toda está voltada para a nova administração”, salienta a presidente da associação de moradores.