08 de julho de 2026
Regional

Cultivo da raiz dá bons rendimentos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A cultura da mandioca tem oferecido bons rendimentos aos agricultores, conta Alexandre Elias, que tem 300 hectares plantados nos municípios de Ubirajara (a 70 quilômetros de Bauru) e São Pedro do Turvo (a 110 quilômetros de Bauru). A expectativa dele é colher 6 milhões de quilos da raiz. “A produção é de 20 mil quilos por hectare, mais ou menos.”

O plantio de mandioca, segundo ele, já está ocupando áreas de pecuária. “Nós plantamos mandioca em área de pecuária. Onde era pasto está virando plantação de mandioca. Nos últimos dois anos o rendimento foi bem melhor do que outro tipo de cultura.”

Otimista, o agricultor diz que a tendência é continuar boa por causa do amido da mandioca. “No Brasil todo estão sendo instaladas fecularias. A fécula de mandioca é utilizada na composição da mortadela, presunto e outros alimentos.”

Elias acredita que, no futuro, o comércio de mandioca industrial será ainda melhor. “Esse tipo de cultura apresenta um horizonte melhor. Aqui na região temos uma fábrica de farinha em Garça e duas fecularias em São Pedro do Turvo.”

O produtor diz que vende direto para as fábricas. “Eu tenho contrato com a farinheira de Garça e com uma fecularia de Cândido Mota, portanto minha produção já está comprometida com as duas empresas.”

Propícia ao plantio

Como médio produtor, Alexandre Elias diz que três fatores contribuem para que a região desponte com essa cultura. “A terra é boa para o cultivo da mandioca. Há mão de obra especializada e o rendimento tem sido um dos melhores dentre as culturas regionais, uma vez que o café não está conseguindo bom preço no mercado.”

A mão-de-obra especializada é apontada pelo agricultor como um fator importante. “Na nossa região tem mão-de-obra especializada, o que é muito importante. Os lavradores sabem plantar, cuidar e arrancar . O cultivo da mandioca na nossa região é muito antigo. O pessoal trabalha bem.”

A plantação de mandioca é intercalada com milho, comenta o agricultor. “Eu faço consórcio com o milho. A mandioca demora 11 meses para produzir. Mas aos dois anos é que ela está com sua carga máxima.”

Praga e chuva

O cultivo da mandioca é razoavelmente simples, mas uma praga ou a falta de chuva na época do plantio podem comprometer toda a safra, avisa Elias. “O inimigo da mandioca é o mandorová que acaba com as lavouras. A chuva é importante no período do plantio que vai de maio a outubro. Sem chuva, a planta apresenta falhas e compromete a produção.”

Ele lembra que esse ano a região foi castigado com a seca. “Atrasou muito o plantio. Tem agricultor fazendo o plantio agora, fora de época. Com certeza não vai ter uma roça boa, não vai ter produtividade.”

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Produção sem agrotóxico

Quando você come um pão de queijo não imagina que está ingerindo amido de mandioca, presente na composição do polvilho. Esse mercado, antigamente restrito ao Estado de Minas Gerais, vem ganhando força, ano após ano, com a expansão do produto. Para torná-lo ainda mais natural, as fecularias estão iniciando um processo para fabricação de amido orgânico.

Para conseguir isso, a mandioca, matéria-prima, tem que ser orgânica, isso é, produzida sem adubo químico, herbicídas, insetidas. O agricultor Alexandre Elias é um dos pioneiros nesse setor. “Este é o primeiro ano de cultivo de mandioca orgânica na nossa região. Eu plantei 120 hectares para uma empresa de Cândido Mota.”

A fécula de mandioca, lembra o agricultor, é usada também nas massas que compõe a mortadela e o presunto, usada em frigoríficos. “Os produtos orgânicos estão em alta. É uma outra fatia do mercado que estamos experimentando.”