08 de julho de 2026
Regional

Praticidade causa crescimento do mercado de farinha temperada

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A vida moderna já não permite que as mulheres passem horas no fogão na preparação dos alimentos. Com a praticidade em alta, a farinha de mandioca temperada tornou-se uma necessidade para os apaixonados por farofas. A diversificação atende a um nicho do mercado desde o ano 2000. “É um produto a mais que tem alavancado o mercado”, ressalta o empresário do setor farináceo César Rosário.

Ele admite que o mercado cresceu de 2003 para 2004. “Existe um consumo maior, por causa da vida moderna. É um produto natural, outra tendência de mercado. Eu notei que o crescimento foi em torno de 40% de um ano para outro.”

Para chegar na situação atual, as fábricas de farinha investiram para implantar o hábito de comprar a farofa pronta. “Nós investimentos na degustação. Fizemos muita degustação nas grandes redes de supermercados para que a dona de casa conhecesse o produto.”

No mercado regional de farinhas de mandioca, a participação da Deusa é de 40 a 50%, acredita Rosário. “O mercado é regionalizado. Tem muitas fábricas menores que a nossa. Nós estamos há 60 anos no mercado.”

Atualmente, a fábrica é administrada pela terceira geração dos Rosários. O fundador foi José Rosário que teve quatro filhos e três netos. A empresa é administrada pelos dois netos e pela viúva do terceiro.

Poucas culturas

Estima-se que perante a produção estadual de mandioca para a indústria, a cidade de Garça abocanhe a fatia de 20%. “É uma estimativa. Acredito que temos 20% da produção do Estado de São Paulo. Nessa região tem poucas culturas, mas a tendência é aumentar”, aposta.

De acordo com ele algumas plantações de café estão sendo substituídas por mandioca. “Tem muitas gente erradicando as plantações de café e passando para soja e mandioca. Tanto a soja como a mandioca estão com preços mais altos.”

O empresário do setor admite que existe uma demanda crescente. “Eu compro mandioca de agricultores da região de Gália, Ubirajara, Paraguaçu Paulista, Tupã e Assis.”

Altamente rica em fibras

César Rosário aposta que a divulgação de novos empregos da farinha de mandioca pode alavancar, ainda mais o mercado. “Nossa intenção é ultrapassar essa cultura que a farinha de mandioca só serve para ser servida com churrasco. A farinha é altamente rica em fibras, além de ter um preço muito acessível.”

De acordo com ele desvincular a farinha do churrasco. “Os fabricantes estão trabalhando para incentivar o consumo diário, junto com o arroz e feijão ou ao natural como matinal. A farinha natural pode ser adicionada ao leite, é muito saborosa e nutritiva.”

Ele frisa que a farinha de mandioca natural tem 7% de proteínas, 10% de ferro, 1% de cálcio e 2% de fibra. “Além de ser um alimento nutritivo, tem um valor muito inferior aos cereais matinais.”

____________________

Japão importa farinha de Garça

Os cerca de 150 mil brasileiros que trabalham no Japão estão movimentando o mercado de farinha de mandioca do Brasil. A fábrica de farinha Deusa, de Garça, exporta um contêiner por mês, comemora o sócio próprietário César Rosário. “A exportação para o Japão é regular, apesar de pequena. Os japoneses gostam muito dos nossos produtos. Eles tem um poder de compra muito grande. Tudo que vai do Brasil para lá, eles compram.”

O empresário acredita que a chegada dos dekasseguis está modificando os hábitos alimentares dos japoneses. “Os descendentes que estão indo trabalhar lá, fazem churrasco e consomem a farinha de mandioca temperada. Os japoneses já estão experimentando o nosso produto.”