09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Novo aeroporto


| Tempo de leitura: 3 min

Leio no JC que simplesmente podem parar as obras (já bastante lentas) daquele que seria, talvez, dentre os investimentos em infra-estrutura para o País, o que mais poderia alavancar o desenvolvimento desta região e, principalmente, da nossa Bauru, ou seja o novo aeroporto.

Ao meu modo de ver, um completo e retumbante erro, fruto da mais míope das administrações que esta nação já teve, mas cuja tônica é a de se esbaldar em propagandas de TV transformando magicamente nossos impostos que deveriam ir tanto para investimentos de base como de ponta a fim de gerarmos empregos, em marmitas invisíveis sabe-se lá a quem.

Que tristeza para um País que não cresce há mais de 20 anos e cuja as estradas, pontes, ferrovias e portos estão sucateados e os poucos aeroportos que temos em condições de escoar passageiros e cargas não o fazem com a rapidez, qualidade e preços competitivos quando comparados com o mercado internacional!!

Este País não entra em guerra desde 1945, mas toda a nossa estrutura de transporte está falida, como se houvéssemos sido bombardeados. Aliás, na maioria das estradas o que não falta (além dos pedágios) são crateras feitas não por bombas, mas pela incompetência de omissos administradores. Nossos portos (os que não foram privatizados) estão ultrapassados tecnologicamente (as águas ficaram rasas para receber os modernos cargueiros de grande porte) e ainda possuem guindastes dos anos 30 para o serviço de capatazia, cuja contratação de mão-de-obra é fruto de uma absurda legislação trabalhista, além, é claro, de sermos conhecidos entre capitães de todo o mundo como o país dos portos mais perigosos depois da Malásia e Cingapura pela ação dos “piratas de portos”!!

Ferrovias ? Inexistem, como bem sabemos aqui em Bauru...

E voar ou despachar uma carga por avião significa dispender uma soma consideravel... Tudo isto lá no final desta perversa equação que nos rouba empregos ao mesmo tempo que nos impede de criá-los tem um nome: custo Brasil !!

Enquanto isso, países se unem para empreitar túneis que ligam continentes, realizando os sonhos dos visionários; empresas fazem, constroem e vendem supertrens, cuja velocidade ligaria Bauru a São Paulo em uma hora; e nações com problemas de espaço físico simplesmente aterram porções de mar para a construção e ampliação de novos aeroportos!

Para finalizar este desabafo e só para exemplificar a diferença do espírito empreendedor de um povo e que faz toda a diferença entre pobreza e riqueza, me recordo de uma visita que fizemos à gigantesca fábrica da Boing, em Seattle.

Quando perguntei ao guia que nos acompanhava o que era aquele enorme movimento de pequenos aviões mono e bimotores que decolavam sem parar da pista de testes, a reposta foi : "São os nossos operários indo para o almoço! Eles moram em pequenas propriedades rurais aqui no entorno da fábrica e pousam seus aviões nos quintais, almoçam e voltam para o trabalho.” Diante do meu espanto, ele me olhou nos olhos e perguntou: “Por que o espanto? O senhor bem deve saber que sem avião não tem jogo (no plane, no game)!”. Hoje ao ler esta triste notícia no JC e analisando a situação econômica do Brasil, principalmente no tocante à empregabilidade, eu bem que responderia assim: "Ô, se eu sei! E como sei!...”

Paulo Boccato - acadêmico de Direito