15 de junho de 2026
Gastronomia

Champanhe

Eliana Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

Pode faltar conhaque, vodka ou até uísque na festa da virada, menos champanhe.

O vinho espumante produzido na região de Champanhe, na França, é o símbolo do Réveillon, a bebida das grandes comemorações.

Champanhe é bebida francesa, que fique claro. No Brasil, Chile, Portugal, Espanha, etc. etc. etc, produzem-se também excelentes “espumantes”, mas esses não são champanhe e nem podem ter a mesma denominação.

Isso porque, segundo os enólogos, o vinho borbulhante produzido em cidades como Reims e Épernay, é a mais difícil bebida que se pode obter da uva, necessitando, das frutas que só naquela região francesa são produzidas. Uvas cultivadas dentro de uma área de 35 mil hectares localizada a cerca de 150 quilômetros a Nordeste de Paris.

O solo de caucário e o clima são importantes para o resultado final. E a uva não pode rodar pela estrada antes de ser macerada. Se for preciso, uma prensa móvel será levada até a área de cultivo.

Só as melhores uvas, selecionadas à mão e espremidas com delicadeza entram na sua composição. A prensagem é extremamente suave. Existe até legislação controlando o processo: de cada 4 mil quilos de uvas, só podem ser obtidos, no máximo, 2.550 litros de mosto.

O “must” da produção, chamado de “cuvée” são os primeiros 2.050 litros. Depois disso, o vinho é vinificado em barricas de carvalho com capacidade para 200 litros, também feitas à mão. Abrigo especial para descansar e se tornar único no mundo das bebidas: elegante, frutado, com aromas que misturam o cheiro de pão e nozes, delicado e acompanhado de espuma ligeira e bolhas finíssimas que sobem lentamente. Uma festa para os sentidos que deve ser degustada logo que é colocado no mercado.

Para você ter certeza de que está comprando um champanhe legítimo, a dica é ler o rótulo da embalagem, que é garantia de procedência. Nele também são encontradas informações sobre o teor alcoólico, o tipo da bebida (teor de açúcar), tipo de produtor e até detalhes se o produto foi obtido a partir de uvas próprias ou compradas de terceiros.

Confira essas letras:

NM - Négociant Manipulant - uvas compradas de terceiros ou meio a meio: de terceiros e próprias.

RM - Récoltant Manipulant - uvas próprias

CM - Coopérative de Manipulant - bebida produzida e vendida por cooperativas.

MA - Marque Auxiliaire - bebida elaborada por terceiros para redes de supermercados.

SR - Societé de Récoltant - família de vinicultores da mesma família que se unem para a produção.

ND - Négociant Distribuiteur - marca que só distribui a bebida.

Se a uva é de fulano ou de beltrano pouco importa. O que interessa mesmo é onde a uva foi cultivada. A qualidade dos vinhedos é que determina seu preço.

Só entram na composição do champanhe três tipos de uva: a branca Chardonnay e as tintas Pinot Noir e Pinot Meunier. Cada qual vinificada separadamente, resultando no vinho base que entrará na composição do “assemblage” final.

Nesse instante, a bebida recebe a adição de vinho com leveduras e açúcar, o “liqueur de tirage”, para que se inicie o processo de fermentação na garrafa.

O tipo de champanhe - Extra Brut e Brut Intégral - depende de sua porcentagem de açúcar. Isso é decidido depois do “remuage” (processos em que as garrafas são giradas diariamente para que as leveduras e sedimentos se depositem em seu gargalo) e do “dégorgement” (quando o gargalo é resfriado e as impurezas congeladas são retiradas) e se adiciona o “liquer de dosage ou liquer d’expédition” (mistura de vinho e açúcar).

Os champanhes Extra Burt e Brut Intégral, raríssimos, não têm adição de açúcar; os Brut - tem 1% de licor; os Extra-sec - de 1 a 3%; Demi sec - de 3 a 5% e o Doux - porcentagem de 8 a 15%, o que torna a bebida adocicada, própria para a sobremesa.

Existem excelentes marcas de champanhe. Entre elas: Moët & Chandon, Veuve Clicquot Ponsardin, Laurent Perrier, Pommery, Lanson, Piper-Heidsieck, Taittinger, Charles Heidsieck, Ruinart, Bollinger, Louis Roederer, Pol Roger, Gosset e Delbeck.

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Camarão ao champanhe

Ingredientes:

20 camarões grandes sem casca

150 g de manteiga

50 ml de azeite de oliva

100 g de uvas passas pretas

sem semente

1 garrafa de champanhe brut

400 g de arroz cozido (pronto)

300 ml de creme de leite fresco

1 maço de salsinha finamente picada

al e pimenta-do-reino

Modo de fazer:

Descasque os camarões. Reserve metade das cascas e cabeças, lave-as muito bem e leve a cozinhar em fogo branco com metade da manteiga e 200 ml de creme de leite fresco.

Deixe-as ferver por 15 minutos. Coe o caldo e reserve. Coloque as uvas passas de molho em água morna por 15 minutos. reserve.

Doure os camarões temperados com sal e pimenta-do-reino branco em pouco azeite de oliva; reserve. Na mesma frigideira, coloque o champanhe até reduzir o volume à metade, junte o caldo das cabeças e deixe reduzir por mais 10 minutos em fogo bem baixo.

Finalização:

Dê consistência ao molho de champanhe acrescentando o restante da manteiga. Passe os camarões para a travessa de servir, cubra com o molho bem quente. Misture ao arroz cozido os 100 ml de creme de leite fresco, as uvas passas e a salsinha picada.

Sirva imediatamente.

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Arroz de champanhe

Ingredientes

4 xícaras de arroz branco

2 xícaras de cogumelos frescos cortados em lâminas

1 cebola pequena ralada

2 boas colheres de sopa de manteiga

1 garrafa de champanhe (ou outro vinho espumante)

5 xícaras de caldo de galinha

1 sachê de açafrão

1 xícara de amêndoas picadas

Modo de fazer:

Refogar a cebola na manteiga até ficar translúcida. Juntar os cogumelos e refogar. Juntar o arroz e fritar bem, mexendo sempre. Colocar o caldo de galinha e o açafrão. Quando 2/3 do caldo tiver evaporado, juntar o champanhe. Quando secar, está pronto. Salpicar com amêndoas picadas.

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Doce com champanhe

Ingredientes:

150 g de açúcar

200 ml de champanhe

6 gemas batidas

Modo de fazer

Misture o açúcar com a champanhe. Acrescente as gemas batidas e leve ao banho-maria, mexendo até ficar um creme fofo. Sirva sobre morangos ou frutas de sua preferência, colocando licor em cima se desejar.

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Viúvas do tintim

A história do champanhe é interessante por vários aspectos: foi descoberto por acaso pelo bondoso monge beneditino Dom Pérignon; exigir todo um ritual de produção e reunir viúvas que transformaram o vinho em sucesso internacional.

As mais famosas são a veuve Clicquort, que tinha 27 anos quando perdeu o marido, juntou-se ao sogro e aperfeiçou a produção da casa acrescentando seu nome ao produto; Louise Pommery que criou, depois da morte do esposo, o champanhe brut - com dosagem entre 6 a 9 gramas de açúcar por litro; Mathilde Perrier que chegou a produção de 600 mil garrafas ao ano; Marie Louise de Nonancurt, que cuidou por anos do negócio da família até entregá-lo ao filho caçula e Lilly Bollinger, que apesar da guerra e da invasão nazista, continuou, mesmo com poucos empregados, a produzir a bebida.

Elegante, Lilly costumava pedalar de bicicletas pelos parreirais, driblando dessa forma a falta de combustível comum durante a Segunda Grande Guerra.

Fonte: Colaboração Revista GULA e Restaurante Charlô/Jockey