Uma realidade cada vez mais comum é entrar em uma pequena empresa e se deparar com a situação de ser atendido apenas pelo proprietário, e se o telefone toca, também é ele quem atende. Esta nova realidade do mundo das microempresas se alastrou por todo o Brasil em decorrência da alta carga tributária, o elevado custo da contratação de mão-de-obra com registro em carteira e, em alguns casos, a falta de informação do empresário.
Dados de 2002 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que das 4,5 milhões de empresas em atividade no País, 68,3% (3,1 milhões) atuam somente com seus proprietários. Os dados são do Cadastro Central de Empresas e revelam que a taxa de mortalidade das empresas subiu de 9%, em 2001, para 10,9% em 2002.
O comerciante Romildo Stripari está inserido nesse contingente de empresários que “tocam” seu negócio sem a ajuda de outras pessoas. Comercializa artigos com preços que variam de R$ 1,99 a R$ 150,00, com variedades para o lar, canetas, cola, linha para pipa, alicate de unhas.
Eventualmente, recebe ajuda da esposa e, no domingo, o cunhado lhe garante a folga semanal a que todo trabalhador brasileiro tem direito.
Para dar conta da demanda de sua loja, Stripari tem que ser ágil pois, em alguns momentos, enquanto fecha uma venda com um cliente, outro solicita uma informação, o telefone não pára de tocar e o representante comercial chega com sua mercadoria precisando descarregar imediatamente para ir embora.
Como Stripari administra sozinho a loja, renovar estoque requer uma ampla rede de relacionamentos. As mercadorias que têm giro rápido, e não podem faltar. Por isso, um representante visita periodicamente a loja. Quando eventualmente sai para uma compra, busca um horário e dia de pouco movimento. Ele é cliente de atacadistas que fazem a entrega no estabelecimento. Para oferecer novidades, costuma solicitar ajuda de amigos que viajam para compras em São Paulo.
Stripari conta que aos 51 anos de idade não consegue emprego, daí optou por abrir um negócio próprio. A empresa existe há três anos e agora está começando a ter rentabilidade. Até então, diz que o dinheiro que entrava cobria as despesas e a subsistência. Ele reclama dos impostos, que considera “pesados” para o tamanho de sua empresa. De imediato, não admite contratar alguém para ajudá-lo. Talvez em 2005 contrate, mas a pessoa será um familiar.
Trabalhou durante 19 anos em uma empresa de Bauru. Ao sair, optou por fretes. Conta que estava indo bem e já pensava em iniciar o negócio para que a esposa ficasse na loja e continuaria com os fretes. Entretanto, uma reviravolta mudou seus planos. Após ter a caminhonete roubada, Stripari preferiu investir a quantia que já tinha juntado na montagem da loja.
O habitual para quem inicia pequenos negócios é abrir uma portinha em um cômodo construído na frente da própria casa. Mas ele queimou essa etapa e optou por alugar um imóvel próximo à sua casa, onde instalou sua loja.