09 de julho de 2026
Regional

Cientista da UFSCar é um dos doze brasileiros mais citados

Por Roberta Mathias e Maurício Motta | Do São Carlos News especial para o JC
| Tempo de leitura: 4 min

São Carlos - O pesquisador Elson Longo, 63 anos, diretor do Centro Cerâmico - Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC) - da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), considerado Centro de Excelência da Fapesp, um dos dez existentes no Estado de São Paulo, é um dos cientistas mais citados em publicações internacionais na área de Ciências de Materiais. Juntamente com 11 pesquisadores de outras áreas, ele representa o Brasil no cenário científico.

A constatação foi feita pela Revista Veja, com base no banco de dados Essential Science Indicators (ESI), que arquiva e atualiza a cada dois meses mais de 8.500 revistas e jornais científicos. A Veja pesquisou em várias áreas de conhecimento os pesquisadores mais citados, que estejam desenvolvendo pesquisas em instituições brasileiras. No universo científico, o número de citações mostra a importância do trabalho.

Elson Longo, que atua há 30 anos na área, porém, faz questão de frisar que essa conquista, na realidade, é coletiva. “O Centro atua com a participação de vários pesquisadores, como o professor José Arana Varela, de Araraquara, que há 30 anos trabalhamos juntos, o Edson Leite, da Federal (UFSCar), que atua há 20 anos... São várias pessoas envolvidas, se eu disser que é mérito só meu é falso”, acrescenta.

No Centro Cerâmico, que reúne UFSCar e USP de São Carlos, da Unesp de Araraquara e do Ipem, em São Paulo, são cerca de 170 pesquisadores, divididos em professores, alunos de pós-doutorado, doutorado, mestrado e de iniciação científica.

“Temos alunos da graduação na iniciação. A gente abre a oportunidade para bons alunos mostrarem seu conhecimento, alguns ficam no laboratório. Tem aluno que está aqui há 15 anos.”

Porém, ele acredita que a participação da pesquisa brasileira poderia ser maior se houvesse maior aproximação com a indústria, o que passa por um olhar mais atento ao consumidor. “Principalmente o setor industrial não pode se acomodar, sempre estar pensando em dar ao consumidor um produto novo, porque hoje ele é mais exigente.”

Antigamente, há 10 e 15 anos, um produto novo demorava entre 5 e 6 anos para cair em desuso, dependendo do produto em até 10 anos era considerado novo. Hoje, esse tempo mudou com a rapidez da informática e também porque o consumidor está mais preocupado com sua saúde, com o que vai consumir.

No setor de comestíveis, por exemplo, antes as pessoas não se preocupavam com o tipo de embalagem, como ele foi feito. “Ele quer que tenha aparência, um bom condicionamento do produto. E isso, tem que ser com um valor bem baixo.”

Para isso, Longo aponta a pesquisa científica como importante aliado para produzir com eficiência e qualidade. Mas não é a indústria pedir tudo para a universidade, ela precisa compreender o papel da pesquisa científica e adotar como política da empresa. Caso contrário, essa relação se transforma em prestação de serviços, o que não é o objetivo.

“Não adianta nada a universidade ter a estrutura que tem, uma estrutura pesada, com recursos humanos de alto nível, se a indústria não formular de forma correta seus problemas. E isso não envolve só melhorias no setor produtivo, para isso é necessário ter projetos muito bem definidos para que a indústria dê um salto qualitativo e quantitativo na sua produção.”

Parceria

O que facilita muito a relação entre o centro de pesquisa e a indústria é existir um parceiro real dentro da empresa, caso contrário não funciona. “Essa prática ainda não existe muito no Brasil, as universidades estão aí, normalmente o pessoal da indústria vem interagir com a universidade sem saber seus problemas reais, não querem fazer praticamente nenhum investimento”, ressalta o pesquisador.

Longo aponta alguns fatores que intensificam esse distanciamento, como a falta de um diagnóstico, que a empresa não quer financiar, e a origem familiar das indústrias.

“O terceiro ponto é a indústria nacional ter a prática de comprar a tecnologia, e tecnologia não se compra. Porque se eu compro, é sempre aquilo que está saindo da linha, então nós sempre vamos estar atrás, e estando atrás tecnologicamente, você não tem progresso no País. Então, se quisermos produzir um aço melhor, temos que ter a nossa tecnologia de produção de aço.”

“O dia em que a indústria nacional que trabalhar de forma profissional vai eliminar todo esse espaço desse pessoal e com isso vai gerar mais emprego para o brasileiro, mais renda, é um processo em cascata. Se somos mais competentes, todo mundo ganha com isso.”

O Brasil é produtor das matérias-primas principais, o aço zincado e papel, mas a fabricação das embalagens fica com as indústrias estrangeiras. “Somos altamente competentes nas matérias-primas, por que não fazemos as embalagens?”, questiona.

Na hora de colocar o valor agregado, a indústria brasileira não coloca. “A universidade estaria auxiliando a indústria, temos grupos altamente competentes. É a nossa indústria que não toma providências nesse setor.”