Botucatu - Se a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) não aprovou o curso de pós-graduação em pediatria, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Botucatu, o reitor da universidade, José Carlos Trindade, por sua vez, não aprovou o método de avaliação utilizado.
Na opinião dele, a Capes deveria ter levado em consideração a qualidade das teses de mestrado e doutorado dos alunos que fazem parte do curso. “A comissão não soube avaliar o significado desses trabalhos para a medicina brasileira”, reclama o reitor.
Segundo ele, o curso de pós-graduação foi criado para formar professores e pesquisadores como fonte geradora de novos conhecimentos. “Então, a melhor maneira de se avaliar a qualidade de um curso é levar em consideração a importância dos trabalhos científicos que estão sendo elaborados e apresentados sob a forma de tese de mestrado ou doutorado”, acredita.
Essas teses, segundo o reitor, quando submetidas a análises de bancas examinadoras, formada por especialistas de diferentes pontos do País, recebem a máxima consideração pelo “elevado padrão”. “Então, realmente, causa uma certa surpresa a avaliação extremamente negativa que a comissão fez deste curso de pós-graduação”, afirma Trindade.
A baixa avaliação da pós em pediatria da Unesp de Botucatu, feita pela Capes, levou o Ministério da Educação (MEC) a pedir o descredenciamento do curso. A nota máxima era 7. O curso obteve nota 2 e foi reprovado, junto com outros 36 em todo o País.
O descredenciamento não é imediato, segundo informou o diretor da Capes, Renato Janine. As instituições podem continuar aceitando novos alunos até que saia a portaria do MEC oficializando o descredenciamento.
O fim das atividades desses cursos ainda depende da conclusão de processo no Conselho Nacional de Educação (CNE) e da portaria a ser editada pelo ministro da Educação. No entanto, Janine afirma que nunca o CNE reviu uma decisão da Capes.
Para os alunos que já estão matriculados, o diploma ainda é válido até que a última turma termine o curso.
Serão descredenciados todos os cursos de pós-graduação que tiveram notas 1 e 2. A avaliação é feita pela Capes a cada três anos.
Numa avaliação inicial, em outubro passado, 55 cursos foram reprovados. Após o prazo de recurso, 19 instituições conseguiram convencer a equipe de avaliação de que a situação não era tão ruim.
De acordo com o reitor da Unesp, a universidade tem autonomia para manter o curso funcionando, mas ele teria validade apenas internamente. “Mas no nosso ponto de vista, não tem sentido continuar com um curso que não está credenciado em nível nacional”, declara.
Uma vez descredenciado pelo MEC, o diploma entregue às turmas que foram matriculadas após o anúncio do descredenciamento passa a não ter validade no território nacional.
Mesmo não concordando com o critério de avaliação utilizado pela Capes, o reitor informou que a instituição vai procurar saber o que “tinha de tão errado no curso de pediatria” para depois fazer uma avaliação crítica e objetiva em busca de “eventuais problemas didáticos ou pedagógicos”.
A partir disso, deverá ter início um processo de reestruturação do curso com a finalidade de reabri-lo no futuro. “Isso não será feito de imediato. É algo (a ser executado) a médio prazo”, prevê.