08 de julho de 2026
Articulistas

O tsunami


| Tempo de leitura: 3 min

O gigantesco maremoto que atingiu a Indonésia, que seu povo chama de tsunami, é conseqüência de gigantescos terremotos subaquáticos. O de anteontem fez mais de 23 mil vítimas fatais. Nada a ver com o efeito estufa. Tem relação com os movimentos das placas tectônicas. É o maior em 40 anos e um dos raríssimos a atingir 9 graus na escala Richter, que mede a intensidade dos abalos sísmicos.

As enormes ondas formadas caíam sobre as casas e a força das águas levava tudo consigo, transformando as praias em necrotérios.

Um raro fenômeno natural que, mesmo nada tendo a ver com as atuais preocupações climáticas, dá o que pensar, faz-nos lembrar da força das águas e estas, diferentemente dos tsunami, têm tudo a ver com o aquecimento global e suas conseqüentes alterações no clima da Terra.

Talvez o lado positivo desta gigantesca tragédia seja lembrar a nós, humanos, que a natureza é incomensuravelmente mais forte do que nós, mortais. E que, em sendo assim, devemos envidar todos os esforços possíveis para minimizar as agressões ao nosso maltratado planeta.

A começar pela escassez de água. Convém dizer aqui que no atual ritmo de crescimento dos países, que alguns acham pouco, logo teremos sérios problemas neste quesito, ao lado da questão energética, também finita. A ilustrar o argumento, basta dizer que é necessário o equivalente a um caminhão-tanque de água, algo como 12 mil litros, para se fazer crescer um boi até a idade de abate; e a produção de verduras, soja, etc, requer menos, mas ainda bastante para os padrões de disponibilidade das nossas reservas. Além do que, todo animal ruminante produz metano, um gás que contribui para o efeito estufa, cuja causa é a digestão das fibras (capim etc). Então, nossas maiores fontes de degradação ambiental são a pecuária, as queimadas e o desmatamento.

Bem, o tal efeito estufa, do qual trata o protocolo de Kyoto, tema que vem sendo publicado diariamente, faz derreter o gelo das calotas polares e de outros picos nevados, sobe o nível dos oceanos, cria más novidades no País abençoado por Deus, onde já ocorreu um inédito furacão no Estado de Santa Catarina e, provavelmente, transformará a Amazônia em savana, num tempo futuro ainda incerto, algumas décadas.

No Nordeste, inundações catastróficas; no Sul-Sudeste, temperaturas atípicas. Por exemplo, 18 a 20 graus em dezembro, pleno verão. Na região caribenha, quatro furacões causaram a morte de mais de mil pessoas. Frio de 30 graus negativos na Inglaterra, no natal de 2003. Os ecossistemas são as mais frágeis vítimas - e, por conseguinte, nós, humanos, deles dependentes - da bagunça climática causada pelo efeito estufa. A conta vai longe, caros leitores.

Como sempre, os EUA se alheiam aos problemas mundiais, bem dizer, àqueles que não rendem grandes manchetes, e recusam-se a assinar o protocolo de Kyoto, sendo eles responsáveis por um terço das emissões globais de carbono.

O efeito estufa é algo cuja reversão pode levar algo como um século, ou mais. Isso se todos os países se empenharem em combatê-lo. Dentro de 100 anos, a temperatura da Terra poderá aumentar cerca de 5º C, o que é um absurdo. Da mesma forma, poderíamos ter o nível do mar 10 centímetros maior, pelo fato, acessório, de que o aumento de temperatura, além de trazer o degelo, propicia a dilatação dos líquidos.

O autor, Luiz M. Leitão da Cunha, é articulista e colaborador do JC