09 de julho de 2026
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Mensagens das eleições


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Passou-se o mês de novembro, prefeito e vereadores já escolhidos. Mas a grande estrela desse último pleito foi o povo: o exercício do voto começou a revelar-se de forma mais evidente como instrumento de mudança. É comum, numa disputa eleitoral, as pessoas se distanciarem por razões óbvias. Confrontam-se e até se hostilizam. Felizmente, uma mudança de discurso de vários candidatos confirmou que algo de fato está mudando: as tradicionais rixas, as acusações de baixo nível e a invasão de privacidade de homens públicos começaram a dar lugar a um discurso mais programático e propositivo. Os resultados das eleições foram a prova de que essa receita dá certo e de que as pessoas estão cansadas de discussões vazias e improdutivas e esperam um programa de governo que atenda às suas exigências. Está na hora de nos reeducar para a união, para a concórdia e acreditar na convivência pacífica. A pedido de alguns leitores, recorro à etimologia para descobrir o sentido verdadeiro dos nomes das novas funções a serem exercidas pelos eleitos no último pleito eleitoral.

Prefeito tem origem na palavra “praefectus” que é um particípio do verbo latino “praeficere” que significa pôr-se à frente de, estabelecer-se como chefe. A palavra é composta do prefixo “prae” (na frente de) e do verbo “facere” (fazer). Essa é realmente a função do prefeito: pôr-se à frente da administração de uma cidade. O maior desafio dos novos prefeitos em geral é pagar dívidas de gestões anteriores. É interessante observar que o verbo “pagar” encerra a idéia de “paz”. Poucos sabem que esse verbo é derivado de “pax, pacis” (paz) e muito, então, tem a ver com paz. Tem sim, pois quem paga, fica em paz. É o que esperamos do novo prefeito. A palavra “edil”, daí edilidade, prende-se ao radical de “aedes, aedium” (residência, casa, moradia). Esses magistrados romanos eram encarregados de inspecionar os edifícios públicos e particulares, os aquedutos e abastecimentos da cidade, etc. É da mesma raiz a palavra edícula (casa, moradia no diminutivo). A palavra “vereador”, mais popular, costuma ser apresentada em nossos dicionários como derivado do verbo “verear” que por sua vez, prende-se à vereda, caminho, com o sentido de “pôr-se a caminho, caminhar”. Concluímos que o edil ou vereador, além de ter a função de legislar, tem também, pelo sentido, a missão de fiscalizar. Tem que se pôr a caminho e não ficar confortavelmente sentado num gabinete com ar condicionado.

Outra função de grande importância no governo é a de “secretário”, não só pelo salário, mas também pela responsabilidade do cargo. A palavra “secretário” pertence ao radical do verbo latino “cernere” mais o prefixo “se” com a idéia geral de separação, privação. Esse prefixo, junto ao verbo “cernere”, produz “secernere” e, no radical do perfeito, as formas “secretus, secretum” para indicar o que está separado, afastado, secreto, segredo. O termo passou, então, a designar a pessoa que era o encarregado dos documentos secretos. Daí, o secretário é a pessoa de confiança do prefeito, é aquela que guarda segredo. O prefeito, para ter sucesso na sua administração, deve escolher para secretário pessoas capazes, discretas, com tempo, com espírito de cidadania, com disposição e desprendimento para colaborar e ajudar. Devem se orientar pela lei do sigilo. Cuidado, pois, vivemos na época “da quebra dos sigilos”, do sigilo bancário, telefônico, internetiano. Ano de 2005. Tudo é expectativa. Muito foi feito. Mas há muito mais por fazer. Temos que dar as mãos e, confiantes, buscar dias melhores e mais justos para a nossa querida Bauru. A esperança nos assegura novos horizontes; nos faz vislumbrar um amanhã melhor. Feliz ano novo!

O autor, Gino Crês, é professor