08 de julho de 2026
Articulistas

Ofensa e perdão, onde?


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O amplo domínio da família se destaca entre aquele onde se projetam e se desenvolvem muitas jogadas de ofensa, pois é nele que ocorrem traições conjugais, filhos ou filhas rejeitados ou irmãos disputando faixas de afeto ou heranças dos pais. Mas é ali onde, igualmente, acontecem os perdões mais comoventes, unindo expressivamente os seres que estejam em contenda, porque, muitas vezes, os sintomas presumivelmente agressivos acabam sendo contornados e aceitos pelos litigantes. Existe também, porém, outra esfera em que o retrato da ofensa nem sempre conta com o flagrante do perdão fotografados por inteiro, sepultando suas intenções e seus efeitos geralmente maléficos. Situa-se ela no terreno político, no qual as animosidades se encrespam e se avolumam, indo ao fundo, onde acabam se tornando perniciosas, como os que ora ocorrem nos ângulos federais do País, onde, conseqüentemente, teimam em prejudicar a administração e os homens de outras esferas.

E não é somente no Brasil que os espíritos tempestuosos se desentendem e se degladiam. Temos aí as divergências internacionais, nas quais se engalfinham países de alta projeção, como alguns da Europa, Ásia e África, aparecendo no cenário marcados por violentos conflitos que parecem não ter fim, mal sufocados ou mesmo amortizados pelas celebrações natalinas, em meio às quais o terrorismo se incumbiu de gerar mortes e destruições, porque o espírito do perdão e da amizade deixou de habitar os corações de seus povos, que já não dão valor à vida e à fraternidade e vão tornando cada vez mais controversa e trágica a convivência coletiva, não se contemplando com o necessário respeito quantos estejam ao seu lado, sentindo os mesmos embaraços da caminhada e, então, carecendo do auxílio de cada um.

Roque Schneider enfoca em seu livro a falta de afeto existente no universo, afirmando: “Irretorquível é a verdade quando portadora de confiança nos homens de todas as idades, pois ainda lhes restam esperanças quando um punhado de lutadores não abandona o desejo de melhorar os destinos da humanidade!” É também a nossa opinião.

O autor, Nadyr Serra, jornalista responsável do JC, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa de Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

“Tanta gente se afastou do caminho que é de luz, pouca gente se lembrou das mensagens que há na cruz. Senhor, volte logo, venha ensinar esse povo, vem dizer tudo de novo”.